Moradores da Baixada recorrem a 'gatos' de luz e água




Moradores da Baixada Fluminense recorrem a 'gatos' de luz e água. Um caso em específico chamou a atenção do Jornal Extra. Fios emaranhados, postes improvisados com troncos de árvores e moradores em perigo. Quem vive no sub-bairro Eurico Miranda, em Austin, Nova Iguaçu, lida diariamente com os riscos da energia elétrica clandestina. Há pelo menos 10 anos eles só têm luz fazendo ‘‘gatos’’. 

Os moradores afirmam que tentam regularizar o serviço com a Light; a empresa, por sua vez, diz que não foi feita nenhuma solicitação para o local.

A dona de casa Tatiane Fontes, de 31 anos, é moradora dali há quatro. Ela diz que comprou o terreno de sua casa na Rua Nauro por R$ 28 mil, mas não conseguiu receber o serviço de energia.


— Procurei a Light, mas não resolvem. A geladeira queimou e tive que comprar outra. Moradores de outras ruas puxam a energia de um poste de iluminação pública. A qualquer momento pode explodir tudo — alerta.

A manicure Cristiane Marinho, de 29, está no bairro há apenas quatro meses. O marido gastou cerca de R$ 500 em fios para dividir a energia de um poste com outro vizinho:

— Antes de comprar esses fios, não conseguia nem ligar a máquina de lavar roupa. A luz era muito fraca porque dividia com minha sogra. Agora melhorou, mas não dá para ligar o ar. Não sei como vai ser no verão.

Moradores compram fios do próprios bolso e fazem por conta própria ligações em postes Foto: Cléber Júnior / Extra



Morador há dez anos, o aposentado Waldemar do Nascimento, de 75, contou que, além de ir à Light, moradores também já fizeram um abaixo-assinado. Não adiantou.

— Qualquer ventania que dá, sai fogo e falta luz. Quando a energia vai embora, tem que colocar a escada e sacudir o poste, mas é um negócio muito arriscado — observa.

Apesar do tempo — uma década — a Light afirma: não recebeu qualquer pedido formal de ligação de energia para o Eurico Miranda.

Lâmpadas comuns são colocadas em postes improvisados Foto: Cléber Júnior / Extra



Casas também têm ligações ilegais de água

Além da luz ilegal, moradores sofrem com outro risco: a água não é da Cedae.

— Disseram que tinha água, mas não era verdade. Tivemos que escavar — explicou a dona de casa Tatiane Fontes.

A maioria dos moradores do Eurico Miranda comprou os terrenos em uma imobiliária no Centro de Nova Iguaçu. Nenhum dos personagens ouvidos pelo ‘‘Mais Baixada’’ tem escritura dos imóveis. A equipe de reportagem entrou em contato com a imobiliária, mas não teve retorno até fechar esta edição.

A prefeitura vai encaminhar um pedido à Light, solicitando que os moradores da região sejam atendidos o mais rápido possível. A Cedae disse que os imóveis não têm Declaração de Possibilidade de Abastecimento, que indica ser possível, tecnicamente, a instalação de redes de água no local.

Moradores compraram terrenos sem fornecimento de energia e sem abastecimento de água Foto: Cléber Júnior / Extra

Confira a resposta da Cedae na íntegra:

A Cedae informa que os imóveis na região não possuem Declaração de Possibilidade de Abastecimento (DPA), documento que indica a possibilidade técnica de assentamento de redes de água no local, que deve ser solicitado antes da construção de qualquer empreendimento. Quanto às redes de água, a região será beneficiada pelas obras do Novo Guandu e do Programa de Abastecimento de Água para a Baixada Fluminense, com investimentos de R$ 3,4 bilhões e obras já em andamento, que vai garantir a construção de uma nova estação de tratamento, 96 km de adutora, construção e reforma de 17 elevatórias, construção de 17 reservatórios e reforma de oito já existentes, 498 km de troncos distribuidores e 261 km de redes de distribuição em Nova Iguaçu, Belford Roxo, Duque de Caxias, São João de Meriti, Queimados, Nilópolis e Mesquita. A região de Austin terá um booster e um reservatório, que vão ampliar a oferta de água na região.

A Light ressalta que o furto de energia é crime previsto no artigo 155 do Código Penal, com pena de até oito anos de prisão, e pode ocasionar acidentes fatais, além de incêndios e danos à rede elétrica.


Este ano, já foram realizadas 6 ações do tipo “Blitz Legal”, que resultaram em três prisões em flagrante e 15 registros de ocorrência. Além disso, segundo a empresa, foram realizadas mais de 20 mil inspeções, com aproximadamente 6 mil clientes regularizados. De acordo com a Light, as medidas proporcionaram a recuperação de 32 GWh de energia, equivalente ao suprimento de 13 mil residências durante um ano.

Em 2015, a Light realizou 23 “blitzes” em sua área de concessão, resultando em 17 prisões em flagrante e 62 registros de ocorrência. Foram feitas também 130 mil inspeções, com mais de 50 mil clientes regularizados, o que proporcionou, segundo a empresa, uma recuperação de 726 GWh de energia, equivalente ao suprimento de 300 mil residências durante um ano.



Via Extra/O Globo
29/07/2016

Compartilhe nas redes sociais

LEIA OUTRAS NOTÍCIAS QUE ESTÃO BOMBANDO NO BAIXADA VIVA

Próximo post
« Prev Post
Post anterior
Next Post »