Sob chuva, Rio lava a alma e dá adeus à Olimpíada que vai deixar saudade




Saudade. A palavra solitária que só na língua portuguesa consegue representar vários sentimentos deu o tom da despedida. Os Jogos Olímpicos do Rio prometem mesmo deixar saudade - até para quem não sabe exatamente seu significado. Debaixo de chuva no Maracanã, o país lavou a alma e celebrou na noite deste domingo o fim e o começo de um novo tempo. Foram 17 dias inesquecíveis da primeira edição disputada na América do Sul e que terminou do jeito que o brasileiro gosta e sabe fazer: com festa, emoção, alegria e muito samba.


Aves brasileiras se unem formando os tradicionais aros olímpicos (Foto: Reuters)


A FESTA DOS ATLETAS

De Noel Rosa para Carmen Miranda. A famosa cantora e atriz que abriu portas para o Brasil no mundo, desta vez, foi representada pela cantora Roberta Sá, abrindo alas para a entrada das 207 delegações dos Jogos Olímpicos do Rio. O desfile dos atletas seguiu com mais música brasileira. O tradicional ritmo frevo foi apresentado. Também teve samba. Teve forró. E sobrou alegria na festa de quem deu o espetáculo nos últimos 17 dias.

Os atletas se despedem dos Jogos Olímpicos Rio 2016 (Foto: Reuters)

Com a Bandeira do Brasil nas mãos, Isaquias Queiroz, o canoísta que conquistou três medalhas na competição, representou a alegria dos 462 atletas brasileiros que tiveram a chance de defender o país em casa. Nesta altura, o gramado do Maracanã já tinha virado pista de dança. Criações de artistas brasileiros ganharam forma no centro do estádio, em seguida. Pinturas desde o tempo dos primeiros habitantes até os dias de hoje foram representadas. A cultura indígena tão marcante nas origens brasileiras foi lembrada com desenhos geométricos.

PARA DEIXAR SAUDADE

Arnaldo Antunes pediu licença para falar de saudade. O escritor, compositor e cantor recitou um poema que tem como tema a palavra famosa por só na língua brasileira definir de forma resumida vários sentimentos. Projeções de traduções em diversos idiomas para "saudade" foram lançadas pelo estádio. Em seguida, veio uma homenagem à arte manual das mulheres rendeiras, com a participação do grupo "Ganhadeiras de Itapuã", destacando a contribuição da cultura negra na formação do Brasil. A renda saiu de cena e entrou a argila. Era a vez de Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião", e sua "Asa Branca" serem lembrados. 

Destaque palavra saudade e para o trabalho das Mulheres Rendeiras (Foto: Leonhard Foeger/Reuters)

Um vídeo com cenas marcantes e emocionantes dos Jogos Rio 2016 foi exibido e serviu de introdução para a última premiação da competição, na entrega de medalhas da tradicional prova da maratona. Em seguida, grandes nomes do esporte, como a russa Yelena Isinbayeva, foram anunciados como novos membros da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Internacional (COI). Os voluntários, que se espalharam e se desdobraram em vários cantos da cidade nos últimos 17 dias, se uniram no centro do Maracanã e também foram homenageados, enquanto Lenine embalava o bonito momento. Era uma das últimas cenas olímpicas do Rio de Janeiro. Não demorou muito para o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, devolver a bandeira olímpica para o COI, em meio a algumas vaias e aplausos do público. O símbolo foi entregue em seguida a Tóquio, o palco da edição de 2020. 

O cartão de visitas dos japoneses para a próxima Olimpíada teve como destaques a palavra "Arigato" (obrigado, em português), que foi projetada em várias línguas durante a breve apresentação, e a tradição dos games japoneses - com direito ao primeiro ministro Shinzo Abe surgindo no palco vestido de Super Mario Bros. Reforçando os conceitos de "diversidade e harmonia ", Tóquio apresentou a intenção de incentivar a aceitação apesar das diferenças culturais dos povos. Para encerrar, uma queima de fogos. 

O presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, e do COI, Thomas Bach, fizeram seus discursos de encerramento. Estava na hora de o Rio se despedir para valer. As obras do paisagista brasileiro Roberto Burle Marx foram lembradas com novos desenhos no gramado. Em seguida, uma chuva artificial apagou o fogo da pira olímpica, enquanto Mariene de Castro cantava "Chovendo na Roseira ", de Tom Jobim.

Uma queima de fogos celebrou o fim da cerimônia. Mas foi fazendo carnaval, com o Cordão do Bola Preta e escolas de samba em cena, que o Rio transformou o Maracanã no Sambódromo, colocou o mundo para sambar e deu um "até logo" - já saudoso - aos Jogos Olímpicos.



Sob chuva, Maracanã celebra o fim dos Jogos Olímpicos no Rio (Foto: Reuters)


* Participaram da cobertura Cahe Mota, David Abramvezt, Gabriel Fricke, Helena Rebello, João Gabriel Rodrigues, Richard Souza, Tiago Leme e Thiago Quintella. Texto de Lydia Gismondi


Via G1


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