Sonho olímpico da pequena Carolina foi interrompido com tiros e bombas da PM em Caxias




A pequena Ana Carolina, de 10 anos, moradora da Vila São Luiz, em Duque de Caxias, tinha um sonho: assistir a passagem da Tocha Olímpica na sua cidade, no seu bairro, na esquina de sua rua. Mas o sonho se transformou em pesadelo com trilha sonora sinistra, recheada com barulhos de tiros e bombas, no início da tarde de quarta-feira (3).

Atingida por um tiro de borracha disparado por PMs do Batalhão de Choque na coxa direita durante tumulto na Avenida Expedicionário José Amaro, a cerca de 100 metros de sua casa, a menina sentiu na carne a truculência olímpica da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

O que deveria ser uma festa para os moradores da região acabou com a chegada da PM que, a pretexto de dispersar uma manifestação pacífica de servidores públicos municipais das áreas de Educação e Saúde, abriu fogo contra a população, sem se importar com crianças, jovens e idosos que aguardavam a passagem do símbolo olímpico.

Pais com crianças de colo, crianças, idosos e deficientes físicos ficaram encurralados na pequena praça, sob o ataque de bombas, spray de pimenta e tiros de bala de borracha.

“Moço, foi um desespero. Um monte de gente correndo, se atropelando pra fugir e eles atirando. Não precisava disso´´, relata a mãe de Ana Carolina, a dona de casa Rosimery Lopes da silva, de 41 anos.

Segundo Cátia Regina José Cunha, tia da menina, quando notou que a sobrinha tinha sido atingida ela e familiares foram atrás de socorro e tiveram que cercar uma ambulância do Corpo de Bombeiros que seguia o comboio a Tocha para que atendimento fosse prestado. “Tivemos que cercar a ambulância. “Eles não queriam atender, mas nós invadimos a ambulância´´, revela, acrescentando que os PMs ainda obrigaram várias pessoas que filmaram as cenas a apagarem as imagens de seus celulares, inclusive agredindo quem se negava. “Mandaram apagar, deram tapa na cara´´, denuncia.

A mãe da menina conta que, no Hospital Municipal Moacyr do Carmo, para onde a menina foi levada e levou pelo menos 10 pontos no ferimento, a assistente social lhe entregou um papel com o número do BAM (Boletim de Atendimento Médico) escrito à mão, para que fosse à delegacia registrar o caso e fazer exame de corpo de delito na filha, afirmando que estava enviando o caso ao Conselho Tutelar do município. A família, sem recursos, ainda teve que arcar com cerca de R$ 200 pelos remédios receitados pelo médico, pois as prateleiras da farmácia do hospital estavam vazias, e com material para curativos.

Segundo Rosimery, a família não foi procurada por nenhuma autoridade para prestar qualquer assistência.“Estamos revoltados´´, declara.

Por nota, a secretaria de Saúde de Duque de Caxias informou que “a menor foi atendida no Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo, apresentando um ferimento corto-contuso na perna, sendo suturada e medicada, sendo liberada em seguida´´ e que “a família da paciente pode solicitar uma cópia do Boletim de Atendimento Médico (BAM), à direção daquela unidade de saúde´´. Sobre a falta de medivamentos, nenhuma palavra.

Já a Polícia Militar disse que “manifestantes tentaram impedir a passagem da tocha…Um grupo arremessou pedras, pedaços de pau e frutas contra os agentes que tentavam liberar a via…O batalhão de Choque precisou utilizar o uso progressivo de força. A Polícia Militar continuará empregando todos os esforços para que os cidadãos tenham a oportunidade única de assistir a passagem da tocha´´.

Sobre o ferimento causado à pequena Carolina e a outras pessoas, nenhuma palavra, nenhum pedido de desculpas.


Via Conecta Baixada


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