Irmã de transexual agredida no Rio relata ataque: 'Era para ela estar morta'




A empregada doméstica Luciana Silva, de 20 anos, lembra com sofrimento o ataque sofrido por ela e a irmã transexual, no último dia 11, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Elas estavam em uma van, voltando para casa após uma festa, quando um jovem fez xingamentos homofóbicos para ofender Taísa Silva, de 21 anos. Dois amigos do rapaz se envolveram na confusão, que terminou com as irmãs sendo agredidas, em uma rua região. O vídeo do ataque, que foi compartilhado em redes sociais, causou revolta. Os suspeitos estão presos.

Taísa, que também foi esfaqueada por um dos suspeitos, está na casa da irmã, onde se recupera de seus ferimentos. Segundo Luciana, a família ainda está abalada pelo ataque.

— Eu graças a Deus estou melhor, mas minha irmã está na minha casa, em recuperação. Ela ainda está muito machucada, inchada — explica Luciana, que teve ferimentos leves. Já Taísa teve uma fratura no rosto e lesões por todo o corpo, incluindo ombro, braços e pernas.

A doméstica conta que voltava de uma festa, no bairro Palmares, na Zona Oeste do Rio, na companhia da irmã, por volta das 6h, e iria para casa, em Santa Cruz. Por isso, elas entraram na van. Logo no início da viagem, Taísa Silva foi vítima de ofensas homofóbicas de um dos rapazes, identificado pela Polícia Civil do Rio como Rodrigo Luiz Silva Soares.

— A gente entrou na van e esses três rapazes já estavam lá. Quando a gente sentou, esse menino (Rodrigo) já jogou piada para minha irmã. Ele a chamou de "veado" e começou as gracinhas — conta Luciana. Ainda de acordo com a doméstica, os outros rapazes - que foram posteriomente identificados pelos investigadores do caso como Jorge Batista Ignacio e Cleiton da Silva - também ofenderam a transexual. — A minha irmã se alterou e começou o bate-boca. Começou tudo com dois. Depois, o terceiro, que estava dormindo, acordou e se envolveu na briga.

Transexual se recupera na casa da irmã Foto: Divulgação / Acervo Pessoal

Luciana conta que os rapazes se revoltaram quando Taísa começou a rebater os xingamentos, o que motivou a troca de agressões físicas ainda dentro da van.

— Com a van em movimento eles começaram a agredir (Taísa Silva). Foi quando para se defender ela foi pra cima deles. Nisso, eles saltaram da van e ele (Rodrigo) com uma faca tentou acertar minha irmã, que rebateu com o braço. Ela se jogou no chão, pegou a faca que tinha caído e deu um golpe nele também. Ele (Rodrigo) se alterou e os outros dois saíram da van. A minha irmã tentou correr — conta a doméstica que diz ter tentado acalmar os ânimos do grupo, mas não teve sucesso. — Não me escutaram. Disseram que iam matá-la. Nisso, o Jorge deu um golpe de chute nela (Taísa), que caiu, bateu a cabeça do asfalto e ficou inconsciente.

Agressão de três homens em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio

A doméstica conta que tentou defender a irmã do ataque do trio, mas que por isso acabou sendo agredida também.

— Eu fiquei o tempo todo entrando na frente deles, pedindo pelo amor de Deus para que eles parassem, que não havia necessidade daquilo. Mas eles vieram e me agrediram também. Pediram para eu sair porque queriam matá-la — conta Lucina.


A doméstica acredita que os rapazes estavam alcoolizados quando efetuaram o ataque. Elas foram salvas por testemunhas da confusão, que afastaram os rapazes.

— Um pessoal que estava em um ponto de ônibus foi para segurar eles. Eles viram que a situação ia ficar crítica e foram embora.

Após as agressões, Luciana diz que teve a ajuda de um mototaxista para levar a irmã até um hospital da região, onde reberam atendimento médicos. Elas ficaram cerca de uma hora no local, antes de irem para casa de Luciana.

Mãe soube de ataque pela internet

Segundo a doméstica, a mãe delas soube do ataque no dia seguinte, quando viu o vídeo das agressões numa rede social.

— Minha mãe chorou, ficou nervosa, mas agradeceu a Deus por minha irmã estar viva. Quando a gente vê o vídeo, a gente vê que era para ela estar morta hoje — conta.

Segundo a irmã, Taísa já havia sido vítima de insultos homofóbicos, mas nunca perto de casa, em Santa Cruz, por isso o caso chocou.

— Já houve casos de violência, mas aqui não é comum. Mas, de vez em quando, ela se depara alguns preconceituosos — lamenta.

Presos

Na manhã desta quarta-feira, os três suspeitos de agredir a transexual e a doméstica foram presos. Eles vão responder pelo crime de tentativa de homicídio.

Os três autores da agressão foram identificados com base nas provas colhidas. A Justiça aceitou o pedido de prisão temporária dos acusados. Na delegacia, eles confessaram a agressão.


Via Extra
14/09/2016




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