Moradores do Buraco do Boi protestam contra a morte de jovem



Uma operação de policiais do 20º BPM (Mesquita) na comunidade Buraco do Boi, no bairro Ambaí, em Nova Iguaçu, na madrugada de ontem, terminou com um jovem morto a tiros e outro ferido. Parentes e amigos de Wuanderson Nascimento Marques, de 17 anos e Lorran Gomes Sant’anna, 18, afirmam que os dois seriam inocentes e foram executados por PMs. 



No entanto, militares garantem que os suspeitos estavam com um revólver calibre 38, um simulacro de pistola, 53 sacolés de cocaína, 31 potes de vidro de pó, um radiotransmissor e 16 trouxinhas de maconha. Revoltados, moradores fizeram um protesto ontem pelas ruas do bairro contra a ação da polícia.




Ainda de acordo com a PM, Wuanderson e Lorran foram socorridos e levados para o Hospital Geral de Nova Iguaçu (Posse), mas o adolescente acabou não resistindo. Lorran segue internado sob custódia na unidade e o quadro clínico dele é estável. Ele foi alvejado na coxa esquerda, abdômen e mão esquerda, inclusive um dedo precisou ser amputado e foi encontrado pelos familiares na Rua Alameda Paulo Afonso, um dos principais acessos a comunidade Buraco do Boi, considerada atualmente uma das áreas mais perigosas da cidade, e que têm sofrido com a migração de traficantes oriundos de favelas do Rio, onde há Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).


O caso foi registrado na 52ª DP (Nova Iguaçu), central de flagrantes. A Polícia Civil informou que Lorran foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio contra os policiais militares. O delegado ainda representou pela prisão preventiva do acusado. Porém, familiares do ferido alegam que ele é inocente e não se envolvia com o tráfico de drogas, embora já tenha passagem pela polícia. Familiares de Wuanderson não conseguiram ser localizados pela reportagem. A mãe do menor passou mal e precisou ser atendida no hospital.

“Meu filho não estava com nada como a polícia está falando. Ele tinha ido visitar a tia e estava conversando com o amigo (Wuanderson) quando a polícia chegou atirando. Ele tentou correr, mas não deu tempo. Torturaram meu filho, que está sem três dedos da mão. Antes de atirar, ainda cortaram o dedo do meu filho com uma faca. Não entendo porque ele está sob custódia. A polícia está mentindo e colocou essas armas para o Lorran. Vou denunciar este caso na delegacia. Não tenho medo de falar. Vou até o fim”, afirmou a mãe de Lorran, Edinei Gomes de Paula, de 38 anos, revelando que deixou a comunidade após a PM invadir a antiga casa. “Moro de aluguel em outro lugar e a polícia invade a casa de vários moradores e esculacha. Isso acontece sempre”, comentou.

Ontem pela manhã, o clima ficou tenso no Buraco do Boi. Revoltados com a morte de Wuanderson, moradores fecharam a Avenida Henrique Duque Estrada Meyer, no Ambaí. Com cartazes e gritos de guerra, eles criticaram a ação da polícia, que segundo eles, sempre chega atirando na região.

O caso será encaminhado para a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que vai apurar o fato. A PM informou que o comando do 20º BPM não recebeu nenhuma denúncia de abuso por parte dos militares.

“Na chegada da polícia houve confronto. Essa comunidade tem um histórico de ataques aos policiais do nosso batalhão, e durante um patrulhamento na semana passada, um tiro de fuzil atingiu a coronha da pistola que estava na cintura de um militar. Por sorte não morreu. Sobre essa denúncia de que policiais forjaram auto de resistência, vamos apurar, mas asseguro que a operação foi normal”, garantiu o sub comandante do 20ºBPM (Mesquita), o tenente coronel Michel Viana.


Via Jornal de hoje
15/09/2016



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