Moradores e comerciantes da Baixada relatam experiências com roubos na região

O entregador foi roubado na porta da casa da sogra, em Meriti Foto: Cíntia Cruz / Extra

Os números da violência divulgados, nesta terça-feira, pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), que colocaram São João de Meriti, na Baixada Fluminense, como a cidade com mais roubos de janeiro a julho, e Duque de Caxias, também na região, na segunda posição em todo o estado, assustam, mas podem não corresponder à realidade. Isso porque o medo e a descrença na eficácia policial inibem o registro de muitos casos pelas vítimas.

No primeiro semestre, a 64ª DP (Meriti) recebeu 5.411 diferentes tipos de roubos. Mas há casos que não chegaram ao conhecimento da polícia, como o do entregador X., que nesta terça-feira foi assaltado na porta da casa da sogra, em Vilar dos Teles:

— Tinha acabado de sair do trabalho e estava chegando na casa dela, por volta das 19h, quando dois homens levaram meu celular e o da minha mulher. Fugiram num carro. Não quis registrar porque não ia recuperar e ainda perderia tempo na delegacia.


Dar conta da própria segurança é uma estratégia. Numa farmácia do mesmo bairro, oito câmeras monitoram o movimento no local:

— Aqui na região tem ocorrido assaltos constantemente. Temos seis câmeras internas, duas externas e alarme com sensor de segurança — explicou o gerente da loja.

Ônibus de monitoramento fica na Praça do Pacificador, no Centro de Duque de Caxia Foto: Cléber Júnior / Extra

Mesmo no movimentado Centro de Caxias, moradores contam que são alvos fáceis de bandidos. O Viaduto Paulo Lins, que fica em frente à Câmara de Vereadores do município, é considerado um dos principais pontos de roubos e furtos. A Praça do Pacificador, onde fica o Teatro Raul Cortez, também recebe muitas reclamações.

A operadora de caixa X., de 19 anos, conta que foi assaltada há cerca de dois meses na principal praça de lazer do Centro de Caxias e em plena luz do dia. Ela estava sentada perto da Biblioteca Pública Municipal Leonel de Moura Brizola quando foi abordada por um homem.

— Não vi se ele estava armado, mas eu não reagi. Ele me abordou e disse que era um assalto. Levou meu celular e o dinheiro que eu tinha na hora. Aqui, por ser no Centro, deveria ter mais policiamento — disse a moradora do bairro Lote Quinze.


PMs do 15º (Caxias) fazem blitz para coibir crime. Foto: Cléber Júnior / Extra


Prefeito quer armar a Guarda Municipal

Nesta quarta-feira pela manhã, o 15º BPM (Duque de Caxias) fazia uma operação na entrada da Favela Vila Ideal, no Engenho do Porto. De acordo com o comando do batalhão, a blitz foi organizada para verificação de carros suspeitos, além de coibir a fuga de criminosos. Os PMs estavam na Avenida Doutor Manoel Telles, que leva até São João de Meriti. A operação seguirá por vários pontos estratégicos de Caxias por tempo indeterminado.

Em Meriti, o prefeito Sandro Matos disse que vai armar a Guarda Municipal:

— Vamos ter uma conversa com a Guarda Municipal para aderir à nova legislação que dá poder de polícia à corporação. Teríamos mais 100 homens. Claro que, depois de treinados e qualificados, ficariam aptos a usar arma de fogo. Estamos vendo a lei.

De acordo com o comando do 21º BPM (Meriti), as ações são diárias, principalmente nas comunidades dominadas pelo tráfico na cidade. Para não atrapalhar o trabalho da PM, o tenente-coronel Marco Aurelio Contreiras, comandante do batalhão, não adiantou quais passos serão adotados daqui para frente. Mas garantiu que as operações táticas vão continuar:



— Todos os dias estamos nas ruas com alguma ação, principalmente para a retirada de barricadas.



Via Extra
01/09/2016




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