Mãe de PM morto no Rio desabafa: ‘Ninguém pensa que policiais têm família’


Fátima chora a morte do filho Foto: Márcio Alves / Extra

“Meu nome? Eu sou a mãe do soldado Moreira. Grande menino. A razão da minha vida”. O desabafo, em tom emocionado, é de Fátima Pires, mãe do soldado Felipe Pires Moreira, de 25 anos. Lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, ele foi morto a tiros na tarde de domingo, perto de uma das entradas da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Zona Norte. O agente estava com a namorada e duas crianças quando foi rendido por três suspeitos de bicicleta.


- Ele estava num parque, gente. Num parque que tinha que ter segurança. Eles estavam com duas crianças. Uma delas estava no colo do meu filho. Ele só teve tempo de colocar a criança no chão. Não teve como se defender. Quando tentou puxar a arma tinha três atirando nele - disse Fátima, chorando.

Felipe estava havia três anos na corporação Foto: Reprodução/Facebook



Ela continuou o desabafo:


- Queria pedir para ter direitos humanos para os policiais. Eles estão guerreando pelos cidadãos e não têm direitos humanos para eles. Ninguém pensa que policiais têm mãe, têm pai, têm família. Só isso que quero falar. Direitos humanos para os policiais. Eles são gente, estão lutando pela gente e ninguém reconhece isso. Só acham que policial é corrupto. Tiram um por meia dúzia. Vocês querem saber meu nome? Eu sou a mãe do soldado Moreira. Grande menino. A razão da minha vida e da dos irmãos dele.


Irmão de Felipe, Artur Pires Moreira contou que o irmão tinha orgulho de ser policial e, atualmente, tentava realizar seu grande sonho: integrar a equipe do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

- Ele era guerreiro mesmo. Gostava da profissão, gostava do que fazia. Ele escolheu essa profissão porque nasceu para isso. Morreu tentando reagir a um assalto. Sabia que não ia conseguir sozinho mudar o mundo, mas fazia de coração. Vestiu a farda mesmo. Tinha o sonho de ser do Bope. Estava treinando para entrar no Bope - disse.

Artur e a mãe, Fátima, no IML Foto: Márcio Alves / Extra


O rapaz ainda criticou a postura do governo do Rio:

- O estado é omisso. É uma vergonha os policiais morrerem igual a formigas. Virou uma coisa comum. Ninguém parece ligar para a dor do familiar. A minha tristeza e a minha dor são imensuráveis. A ficha ainda não caiu.

O corpo de Felipe Moreira está no Instituto Médico-Legal (IML). O enterro será nesta terça-feira, às 11h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Ele estava na PM havia três anos.

Soldado havia trocado de lugar com outro PM que morreu

Felipe Moreira era amigo do também soldado André de Jesus Silva, de 36 anos, que morreu na sexta-feira, durante confronto com traficantes da Cidade de Deus, na Zona Oeste. Segundo um policial da UPP Cidade de Deus, Moreira teria que estar de serviço na sexta, mas havia pedido para que Jesus trabalhasse em seu lugar por causa de um compromisso.

- O Jesus era amigo do meu filho. Ele foi enterrado ontem (em Volta Redonda). E amanhã será meu filho. E depois? Que outra família vai chorar essa perda? - disse Fátima Freire.



Via Extra
10/10/2016


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