Nilópolis não tem novos nascimentos e cemitério fecha as portas

Caroline Oliveira mora próximo ao Hospital Melchiades Calazans e lamenta que unidade não esteja recebendo grávidas Foto: Guilherme Pinto / Extra

No mesmo mês em que o cemitério de Nilópolis, no bairro de Olinda, na Baixada Fluminense, deixou de fazer sepultamentos — desde o último dia 10 —, a cidade também deixou de ter uma maternidade. A que funcionava no Hospital Estadual Vereador Melchiades Calazans, no bairro Cabuís, parou de realizar partos e deixou sem rumo as grávidas do município.

Quando foi alertada pelo médico do posto médico onde fazia o pré-natal sobre a necessidade de procurar um hospital, a menor X., de 16 anos, moradora do bairro Nossa Senhora de Fátima, em Nilópolis, teve que começar uma peregrinação.


— Ele disse que já tinha passado do tempo, porque eu estava com 41 semanas. No dia 6, fui ao Hospital da Mãe, em Mesquita, mas disseram que não tinha médico. Mandaram eu procurar o Calazans. Lá, me mandaram voltar ao Hospital da Mãe. Uma tia me orientou a procurar Nova Iguaçu. Vim para cá, fui examinada e logo me internaram — conta a jovem, que deu à luz um menino, no último dia 8, na Maternidade Mariana Bulhões: — Se a maternidade em Nilópolis estivesse aberta, seria muito mais perto de casa. Poderia ter chegado lá passando mal, mas não fui examinada lá nem no Hospital da Mãe.

Moradora de Nilópolis, X. não conseguiu atendimento no Hospital Melchíades Calazans e teve seu bebê em Nova Iguaçu Foto: Guilherme Pinto / Extra

Nova Iguaçu também deverá ser o destino da dona de casa Caroline Oliveira, de 23 anos. Grávida de nove meses do terceiro filho, a moradora do bairro Nova Cidade, em Nilópolis, não poderá ter seu bebê no município onde mora, como foi com a filha mais velha, há 6 anos.

— No dia 14, fiz uma ultrassonografia que mostrou que o bebê estava sentado. Nesse mesmo dia, uma amiga disse que a maternidade do Calazans tinha fechado. Sábado passei mal e fui para o Hospital da Mãe, mas me mandaram de volta para casa. Hoje (quinta, dia 20), comecei a sentir dores e decidi vir para a Posse — narra Caroline, que foi liberada, após ser examinada na unidade de Nova Iguaçu.

Até no pré-natal, a dona de casa teve dificuldades. O sonar — aparelho usado para ouvir os batimentos cardíacos do bebê — do posto médico Rosa Maria Perez está quebrado. Agora, ela aguarda para dar à luz em Nova Iguaçu:

— Moro perto do Calazans. Dá para ir andando. Se pudesse ter meu filho lá, seria muito melhor, porque não gastaríamos com passagem.

Cemitério de Olinda em Nilópolis encerrou novos sepultamentos no último dia 10 Foto: Divulgação



Secretaria diz que maternidade está funcionando

No último dia 10, o Cemitério de Olinda, único em Nilópolis, encerrou os sepultamentos, alegando que havia mais condições de realizar enterros devido à capacidade exaurida do espaço.

Um processo de licitação foi aberto para escolha de uma empresa que ficaria responsável pela reforma do imóvel, já que o investimento inicial, segundo a prefeitura, era inviável aos cofres públicos. Mas a juíza da 2ª Comarca de Nilópolis suspendeu a ação, por tempo indeterminado. O cemitério é localizado numa área sob domínio do tráfico de drogas e virou rota de fuga de criminosos, que, segundo a prefeitura, depredam o patrimônio.

A Prefeitura de Nilópolis disse que o aparelho do posto médico Rosa Maria Perez está funcionando normalmente e confirmou que o cemitério continua fechado, só realizando enterros de quem tem sepultura própria.

A Secretaria estadual de Saúde disse que a maternidade no Hospital Estadual Vereador Melchiades Calazans está funcionando.


Via Extra
24/10/2016



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