Serralheiro alvo de boatos nas redes sociais começa a retomar a vida: ‘Estamos virando o jogo’



Após duas semanas no inferno, a vida de Carlos Luiz Batista, de 39 anos, começa enfim a retornar aos eixos. Ainda sem trabalhar, por conta de boatos em redes sociais que o apontavam como responsável por diversos crimes, o serralheiro conseguiu, ao menos, voltar a dormir mais do que míseras duas horas de sono — no auge da crise, a esposa chegou a disfarçar um calmante no suco para que ele pudesse descansar.



— Era qualquer barulho na porta de casa e a gente já ficava cheio de medo — lembra a dona de casa Leila dos Santos, de 37 anos.

Desde que soube que sua foto havia ganhado a internet acompanhada de falsas acusações, Carlos mal vinha saindo do pequeno imóvel que divide com a esposa e a filha de 1 ano e 8 meses num condomínio do “Minha casa, minha vida”, na Zona Oeste da cidade. Até a menina sentiu na pele o peso da difamação: os passeios pelo parquinho no conjunto foram suspensos, ficando confinada às quatro paredes do apartamento.

— Minha vida era só chorar e ficar no telefone — confessa o serralheiro, agora já até arriscando um meio sorriso.

Carlos mostra mesagens com a calúnia Foto: Fabio Guimaraes


O celular do qual Carlos não se desgrudava foi uma das principais armas contra a rede de mentiras, que incluíam diferentes atrocidades supostamente por ele cometidas em locais que iam da Baixada Fluminense à Sepetiba, passando por Niterói e outros bairros da Zona Oeste. Com o aparelho, depois de registrar ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), ele gravou um vídeo em que esclarecia o ocorrido e pedia que os amigos passassem o conteúdo adiante — “aí, foi a viralização do bem”, brinca.

Mesmo com o medo ainda presente, Carlos já consegue sair à rua sem a sensação ininterrupta de que está sendo observado. O bastante para que ele e a família comemorem:

— Eu só sabia de trabalhar, e de repente acordo como o bandido mais procurado do Rio. A gente sempre acha que estão olhando, é horrível. Mas nós estamos virando o jogo.




Desabafo de filho

Além da filha pequena, Carlos é pai de dois rapazes de 20 anos, gêmeos. “Eles também sentiram. Um deles, ao ver uma postagem com o vídeo que eu gravei, saiu logo comentando: ‘Olha aí pra quem estava falando besteira, ó’”, conta o serralheiro.

Outros casos

Histórias semelhantes à de Carlos ocorreram este ano, em Pernambuco, em abril do ano passado, em Manaus, e em 2014, em Lagarto. Nos três casos, homens tiveram suas fotos compartilhadas sob falsas acusações de estupro.


Morte no Guarujá

Em maio de 2014, a dona de casa Fabiane Maria de Jesus foi espancada e morta depois de ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças que praticava rituais de magia negra em Guarujá, no litoral de São Paulo.

Condenação

Na última terça-feira, Lucas Rogério Fabricio Lopes, de 21 anos, um dos acusados pela morte de Fabiane, foi condenado a 30 anos de prisão.


Via Extra
07/10/2016




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