Moradores fecham ruas com barreiras e portões de ferro na Pavuna, por medo de assaltos



Numa rápida conversa com moradores da Rua Ribeyrolles, antiga Rua 13, na Fazenda Botafogo, na Zona Norte, e de pelo menos outras seis vias próximas, é possível perceber o pavor de quem convive com a violência e os constantes assaltos. Qualquer aproximação de estranhos é vista com desconfiança. Quase todos têm uma relato de roubo que sofreram ou tiveram familiares ou amigos como vítimas. O quadro se repete na Pavuna. Assustados e cansados de esperar uma providência das autoridades, a população resolveu fechar trechos das ruas com barreiras e portões de ferro.

A população preparou 18 faixas com pedido de socorro às autoridades para espalhar pelo bairro, sendo que duas delas, com 15 metros, cada, serão estendidas na Avenida Brasil. Na Fazenda Botafogo, no trecho que teve sete ruas bloqueadas com barreiras só a Vitor Frond foi poupada, por causa dos ônibus que passam por ela. As outras tiveram barreiras fincadas apenas numa extremidade, deixando a outra livre para veículos dos moradores e de serviços como Correios e Comlurb.

— Já teve caso de três assaltos na rua, no mesmo dia e praticados pelos mesmos bandidos. Chego do trabalho por volta da meia noite, morrendo de medo. Não ando com mais nada de valor na bolsa. No lugar do dinheiro, só o cartão do Riocard para pagar a passagem — contou uma moradora que não quis se identificar, por medo.


Moradores prepararam 18 faixas com pedidos de socorro às autoridades, para serem espalhadas pelo bairro Foto: Fabiano Rocha / Extra

Leonardo de Oliveira, de 30 anos, que foi assaltado no último sábado, disse que as barreiras foram colocadas há cerca de uma semana com recursos dos próprios moradores, que se cotizaram.

— Há cerca de 15 dias fui assaltada na porta de casa, com meu filho de dez meses no carrinho de bebê e com uma arma apontada para a cabeça dele, para evitar que eu reagisse. Levaram meu IPhone. Dias depois, soube que tinha sido abandonado em Guadalupe, onde recuperei. Todo mundo aqui vive com medo. O fechamento da rua foi um ato desesperado. Uma tentativa de inibir a ação de bandidos. Já teve até morador sequestrado por marginais que ficaram circulando com ele no carro, enquanto praticava roubos na região — contou uma moradora da Ribeyrolles.

Luiz Augusto Alvarenga Louro, de 53 anos morador da Alameda Guarani, na Pavuna, também se queixa da falta de policiamento, A via onde mora foi bloqueada com portão de ferro, há seis meses, na altura da Rua Botumirim. Só moradores com chave e a pé têm acesso. Pelo menos outras quatro vias foram bloqueadas na região.

— O acesso à Herculano Pinheiro só não foi fechada ainda por falta de consenso. Os roubos diminuiram. O portão inibe a ação dos bandidos — acredita o morador.

Para a Subprefeitura da Zona Norte 1, o fechamento destas ruas é irregular. O correto é fazer o pedido no órgão, que encaminha ao crivo da CET-Rio, PM, secretarias de Obras e Conservação. Se aprovado, vai para análise do prefeito, que pode autorizar ou não. No caso de vilas reconhecidas oficialmente — por meio de documentação específica — , o pedido pode ser feito diretamente na Secretaria de Urbanismo.

A PM garantiu que o 41º BPM (Irajá) intensificou o policiamento na região e faz operações rotineiras.


Via Jornal Extra
09/11/2016


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