Morte de dentista no Rio gera revolta



Parentes e amigos da cirurgiã-dentista Priscila Nicolau Soares dos Reis, morta aos 37 anos ao tentar fugir de bandidos na Zona Oeste do Rio, usaram seus perfis em redes sociais para demonstrar revolta com a situação. A mulher foi baleada na cabeça na tarde desta segunda-feira. Criminosos escaparam de um cerco policial no Morro do Banco, no Itanhangá, e tentaram roubar o Kia Sorento de Priscila na Estrada de Furnas. A dentista teria se assustado e acelerado, o que levou os bandidos a abrirem fogo: o carro foi perfurado por pelo menos 17 disparos.


Na manhã desta terça-feira, policiais militares do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) fazem uma operação no Itanhangá à procura dos bandidos que mataram a dentista. A ação conta com o reforço de outros batalhões - 9º BPM (Rocha Miranda), 18º BPM (Jacarepaguá), 27º BPM (Santa Cruz) -, além do Batalhão de Ações com Cães (BAC) e do Grupamento Aeromarítimo (GAM). As equipes contam com o apoio de aeronaves.

"Mais uma vítima da violência, uma pessoa de apenas 37 anos, trabalhadora, casada, dedicou sua vida a seguir regras e não teve sua segunda chance diante das 'vítimas da sociedade'. (...) Deixo aqui meu sentimento de revolta e indignação com essa m... de estado. Que Deus conforte minha tia e nossa família!", escreveu um parente da dentista.


Uma amiga também lamentou a violência da morte: "Acordo hoje, tentando acreditar que foi um sonho ruim... mas infelizmente a realidade nua e crua me mostra que essa dor é de verdade. Que ela siga um caminho de luz e muita paz. Ela deixará muitas saudades e será eternizada em nossos corações...".

Uma prima de Priscila se despediu com um texto emocionado: "Pri, irei te guardar com todo amor no coração e só posso agradecer por todos os momentos incríveis que passamos juntas. Todas as risadas, lanches, almoços, passeios, shows, conversas... Obrigada por ter feito parte da minha vida! Eu te amarei eternamente!! Guardarei em minhas fotos e lembranças nossos momentos de felicidade!! Descanse em paz prima, e seja como aqui na terra a estrelinha mais brilhante lá no céu! Até qualquer hora pois tenho certeza que ainda vamos nos encontrar um dia. Não deixo um adeus e sim um até logo".

"Ainda não consigo acreditar, como se em qualquer momento alguém fosse me dizer que não é verdade! Tive a oportunidade de conviver e compartilhar momentos ímpares com essa linda pequena mulher, sempre brincando e com seu jeitinho meigo! Não tenho nem palavras, coração está em pedaços! Que Deus possa consolar os corações dos familiares mais que queridos!", escreveu uma amiga.


No perfil de Priscila no Facebook, desconhecidos também deixaram mensagens de revolta: "Não a conhecia, mas é impossível não sentir nada diante dessa bárbarie... vivemos uma guerra civil e não sei onde vamos parar... será que todas as famílias precisarão ser destruídas para se tomar verdadeiramente uma atitude? Descanse em paz, sinto muito família e amigos".

Priscila será enterrada nesta terça-feira, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.


Vítima fazia trabalho voluntário em comunidades

Além de trabalhar num escritório em Copacabana, Priscila prestava serviços odontológicos gratuitos em comunidades carentes do Rio. As ações aconteciam anualmente. A última foi em abril deste ano, em Manguinhos, na Zona Norte da capital. Além dos atendimentos odontológicos, Priscila e o grupo de voluntários confeccionavam próteses dentárias e davam palestras educativas sobre a prevenção de doenças.

Priscila era casada. O viúvo dela, Fabrício Maio, esteve na Divisão de Homicídios (DH) no início da noite desta segunda-feira, mas não quis falar com a imprensa.

As marcas de tiros no carro de Priscila Foto: Fabio Rossi / O Globo

O delegado Fábio Cardoso, titular da DH, informou que a principal linha de investigação é a tentativa de roubo.

— Agentes estão buscando testemunhas e câmeras de segurança próximas ao local. Estamos trabalhando para apurar, por exemplo, se o que houve foi um latrocínio (roubo seguido de morte) ou um homicídio. Já temos nomes de possíveis envolvidos, mas por ora não iremos divulgar — disse o delegado.

PM buscava bandidos que invadiram o Morro do Banco

A operação que a PM fazia no Morro do Banco - e que motivou a fuga dos bandidos que mataram Priscila - ocorreu após bandidos das comunidades do Borel e do Lins, ambas na Zona Norte, invadirem a favela. Um vídeo mostra a invasão dos criminosos:


Após a dentista ser morta, a PM realizou uma operação na região em busca de suspeitos. Segundo a corporação, policiais do Grupamento Aeromarítimo participam do patrulhamento, em apoio aos agentes do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes). Policiais civis da DH também estiveram no local do crime e realizaram uma perícia. Os criminosos não foram localizados.

Via Extra
01/11/2016

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