Neuropediatra de Nova Iguaçu vira exemplo de serviço público de saúde que pode dar certo




“Tinha vontade de ter um serviço público de qualidade. Mudar esse estereótipo de que só porque é SUS deve ser de qualquer jeito’’. A proposta do neuropediatra Newman Teixeira de Nigro, de 57 anos, deu certo e hoje o Centro de Especialidade em Saúde Paul Harris, na Posse, em Nova Iguaçu, virou referência para mães que buscam atendimento aos filhos especiais. Newman, que também é o diretor da unidade, conta que, embora esteja no centro especializado há 20 anos, continua aprendendo:

— Cada criança que atendo é uma novidade. Dizer que tem experiência é cair em armadilhas. Quando você acha que sabe tudo, está na hora de começar de novo.

Newman recebe cerca de 70 pacientes por dia, sempre às terças e quintas. Ele ainda divide o tempo entre os atendimentos no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, Zona Norte do Rio, e em seu consultório. Mas não se cansa. Ao contrário. Em outubro, trabalhou até aos sábados:

— O posto ficou em obra e eu queria zerar as consultas. Mas, mesmo durante as obras, atendi . Dia de semana, costumo sair à noite daqui.




Cerca de 70 pessoas são atendidas às terças e quintas. E todos enchem o Dr. Newman de elogios Foto: Cíntia Cruz / Extra

E foi essa dedicação, aliada ao atendimento humanizado, a responsável pelo avanço no tratamento de Wilson Edison, de 10 anos, que tem atraso cognitivo da fala e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

— Pelo plano de saúde, não consegui neuropediatra. Levei meu filho a médicos que eram referência, mas eles só queriam dar remédio. A primeira coisa que o Dr. Newman fez foi cortar os medicamentos e passar terapia alternativa. Ele não é só um médico. É um ser humano que trabalha com o coração — elogia a dona de casa Ângela Arnaud, de 46 anos.

Com plano são 20%

Cerca de 20% dos atendimentos no Centro Especializado em Saúde Paul Harris são de pacientes com plano de saúde. Outros 30% são de pessoas de outras cidades. É o caso de Ângela Arnaud que, mesmo tendo plano de saúde, sai da Barra da Tijuca às 4h para ser atendida pelo SUS em Nova Iguaçu.

A estudante Érica de Assis Sores Godoy, de 33, precisou esperar quase sete meses pela consulta através do SUS. Pelo plano, também não teve sucesso no tratamento do filho Lucas, de 5. Ele tem Transtorno do Espectro Autista (TEA).

— Valeu muito a pena esperar. Tenho amigas que são mães de autistas em outros municípios e não encontram esse atendimento aqui na Baixada. Em cinco meses de tratamento, o Lucas melhorou bastante. Ele não conversava — comemora Érica.


Lucas apresentou melhora com cinco meses de tratamento Foto: Cíntia Cruz / Extra

Para ter retorno dos pacientes, Newman criou uma pesquisa de satisfação, na qual pacientes avaliam o atendimento que tiveram:

— É para colocar a cara a tapa e ver onde acertamos.

Ele também ajuda mães que não têm dinheiro para a passagem do ônibus de volta para casa. Mas sobre isso não gosta de comentar. Para comemorar o fim do ano, uma festa em 10 de dezembro será organizada para os pacientes, com distribuição de brindes e brinquedos doados por voluntários, café da manhã com animador, bolo e doces para as crianças atendidas.


Via Extra
11/11/2016




Compartilhe nas redes sociais

LEIA OUTRAS NOTÍCIAS QUE ESTÃO BOMBANDO NO BAIXADA VIVA

Próximo post
« Prev Post
Post anterior
Next Post »