Prefeitos eleitos na Baixada não sabem se vão poder assumir restaurantes populares fechados pelo Estado




O que seria uma pitada de esperança para os restaurantes populares de Nova Iguaçu e Caxias, ameaçados de fechamento por conta do atraso no repasse de verbas estaduais, pode virar uma realidade indigesta: o goveno acenou com a possibilidade de municipalização dos estabelecimentos, mas os prefeitos eleitos não confirmaram se vão assumir a responsabilidade por causa da incerteza quanto ao caixa das prefeituras.

Rogério Lisboa (PR), eleito em Nova Iguaçu, disse que até tem interesse, mas vai esperar o período de transição:

— Sou defensor do programa Restaurante Popular. É verdadeira a máxima de que quem tem fome tem pressa. Mas, antes de me comprometer, preciso entender exatamente o desafio que terei com o funcionalismo e os aposentados sem salário.

Já o futuro prefeito de Caxias, Washington Reis (PMDB), bateu o pé: disse que a atribuição é exclusiva do estado:

— Só vou me comprometer com o que puder pagar. Não sei como vou herdar o caixa. Tem servidor sem receber e o objetivo é sanar essas dívidas.



A dona de casa Maria José viaja uma hora por dia para almoçar no restaurante em Caxias: opção mais econômica Foto: Cíntia Cruz / Extra

Enquanto isso, a população em Caxias fica na expectativa do que vai acontecer com o Restaurante Cidadão Dom Hélder Câmara. São 12 meses de atraso com a empresa Gran Nutriz, que administra o local e oferece 2.500 refeições. A dívida passa de R$ 4 milhões.

A dona de casa Maria José da Silva, de 61 anos, sai de Santa Cruz da Serra para comer no restaurante:

— Meu marido e eu almoçamos aqui todos os dias. Ele ganha um salário mínimo. Essa é a opção mais em conta. Deus me livre se isso aqui fechar.

Em outubro, o ‘‘Mais Baixada’’ mostrou situação semelhante no Restaurante Cidadão Madre Tereza de Calcutá, em Nova Iguaçu. O estado deve à empresa Cial Comércio e Indústria de Alimentos Ltda. cerca de R$ 3 milhões por 15 meses de atraso. A municipalização poderá ser feita até 30 de junho ou então as unidades serão extintas.

Em nota, a Secretaria estadual de Fazenda disse que que o estado está impedido de fazer pagamentos porque o caixa está bloqueado pela União.



Via Extra
11/11/2016


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