Roubos a ônibus disparam 150% em municípios da Baixada fluminense

Coletivo assaltado na Via Light, altura da Vila Emil, em Mesquita: motoristas e passageiros relatam rota do terror na região

Foto: Renato Ferreira/ Conecta Baixada

Em um ano, assaltos a ônibus na região do 20º BPM, que cobre os municípios de Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis, saltaram 150%. Os dados compreendem os casos registrados em setembro de 2015, quando 60 ocorrências entraram no sistema da Polícia Civil, e do mesmo período de 2016, onde 150 assaltos foram registrados em delegacias.

O número, no entanto, pode ser muito maior. Rodoviário há 15 anos, Uédson Barreto da Silva, mais conhecido como China, defende que os dados não refletem a realidade. “Uma vez assaltado, o motorista não pode conduzir o ônibus para uma delegacia, por ordem da empresa. Mesmo quando desobedece a orientação, por vezes, não é atendido, sendo empurrado para outro local”, revelou o motorista, que também ocupa a cadeira de vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Nova Iguaçu.

China disse ainda que “os rodoviários vítimas de assalto são obrigados a seguir trabalhando, abalados, momentos após o crime”. Segundo ele, os rodoviários ainda são penalizados, tendo que pagar do bolso o valor levado pelos criminosos. “Como se tudo isso não bastasse, falta atendimento psicológico para esse profissional”.

O relato de China encontra respaldo na história de um trocador da Ponte Coberta, empresa que faz trajetos intermunicipais que cortam as cidades atendidas pelo 20º BPM. O rodoviário, que preferiu não se identificar, relata que ao menos três assaltos no último mês. “Os caras selecionam alguns passageiros para roubar, mas fazem a limpa no caixa do ônibus. Pior do que ter que pagar o prejuízo do bolso, como se a culpa fosse nossa, e ter que continuar trabalhando, como se nada tivesse acontecido.”

Outra reclamação compartilhada pelos rodoviários ouvidos pela reportagem do Conecta Baixada foi relacionada às câmeras de segurança instaladas nos ônibus. Segundo eles, por vezes, os equipamentos não registram os crimes. “Quando um motorista comete uma irregularidade as imagens são disponíveis. Agora, quando elas podem ser utilizadas para investigação da polícia não funcionam. É no mínimo estranho”, finalizou China.

Registros pela internet


Em nota, a Polícia Civil afirmou que registros de ocorrência podem ser realizados em qualquer delegacia ou pelo site da Polícia Civil (www.policiacivil.rj.gov.br), na aba DEDIC.



Por Davi Boechat
Via Conecta Baixada

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