De Nova Iguaçu à alta sociedade carioca: quem é Françoise Oliveira, acusada da morte do embaixador grego



De uma família humilde da Baixada Fluminense à alta sociedade carioca. Françoise de Souza Oliveira, acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o embaixador da Grécia no Brasil Kyriacos Amiridis, se acostumou, nos últimos anos, a frequentar festas regadas à champanhe no Copacabana Palace e encontros com políticos e autoridades em Brasília, onde o casal morava. Françoise e Kyriacos se conheceram há 15 anos, quando ele era cônsul-geral do Rio, e têm uma filha de 10.

À Baixada, onde cresceu, só ia nas férias de fim de ano. Para ficar mais próxima da família, pediu ao marido que comprasse uma casa em Nova Iguaçu. Entretanto, segundo os parentes, pouco frequentava o local. Com a irmã, Françoise sequer estava falando ultimamente: quando vinha ao Rio, o casal costumava se hospedar em hotéis na Zona Sul da capital fluminense.



No facebook da mulher do embaixador Françoise Amiridis, embaixador da Grécia no Brasil, Kyriakos Amiridis

Apesar das raras aparições, seu temperamento explosivo já a havia levado a uma delegacia da Baixada em 2015. Na ocasião, organizou uma festa com som alto que varou a madrugada e irritou os vizinhos. Já pela manhã, como contou uma moradora à polícia, Françoise iniciou uma discussão que terminou aos palavrões. Ela foi indiciada por injúria. O processo foi arquivado este ano.

Conforme contou à DHBF, Françoise conheceu o policial Sérgio há seis meses, quando ele passou a cuidar da casa de veraneio em Nova Iguaçu na ausência do casal. Os dois começaram um romance, que, de acordo com a polícia, motivou o crime — como o EXTRA revelou em primeira mão na manhã desta sexta-feira.

— Já conhecíamos esse PM. Ele chegou a ir à nossa casa. Só não sabemos se os dois realmente têm um caso — disse a mãe de Françoise, Rosângela Oliveira, que lamentou a perda do grego:

— Parecia uma pessoa maravilhosa. Nos víamos todo Natal. O embaixador não merecia.



Embaixador grego Kyriakos Amiridis, de 59 anos, teve o assassinato planejado pela mulher Foto: Divulgação

O crime

Uma tragédia grega na Baixada Fluminense. Após dois dias de investigações da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), a Justiça decretou a prisão de Françoise de Souza Oliveira, do soldado PM Sérgio Gomes Moreira Filho e de Eduardo Moreira Tedeschi de Melo pelo assassinato do embaixador da Grécia no Brasil, Kyriakos Amiridis, de 59 anos. Para a polícia, o homicídio teve motivação passional. De acordo com o delegado Evaristo Pontes, responsável pela investigação, Françoise, mulher do diplomata, tramou o assassinato. Já Sérgio, amante da embaixatriz, e Eduardo, primo do policial, foram responsáveis pela execução do crime.

— A hipótese investigada pela polícia quanto à motivação do crime é o interesse da Françoise em usar os bens do embaixador para curtir a vida com o PM — afirmou Pontes.


Um dos acusados, o PM Sérgio Gomes, dentro da DHBF Foto: Reprodução


Imagens de câmeras de seguranças que mostram Sérgio carregando o corpo para fora da casa e a perícia feita na residência do casal — que encontrou, ao longo da última quinta-feira, manchas de sangue no sofá da sala — ajudaram a polícia a concluir que o embaixador havia sido assassinado na noite de segunda-feira, antes mesmo de Françoise registrar seu desaparecimento na delegacia, na quarta. Ao ser perguntada na delegacia sobre as imagens, a mulher negou participação no crime, mas apontou Sérgio como autor.

Já o policial confessou participação no homicídio. Em depoimento, ele afirmou que entrou em luta corporal com o embaixador e desferiu um golpe fatal — versão desmentida pelos peritos da especializada, que acreditam que a arma usada no crime foi uma faca. Já Eduardo revelou ter sido contratado por Françoise.


Carro alugado por embaixador grego foi incendiado Foto: Fabiano Rocha

— O primo disse que Sérgio e Françoise ofereceram R$ 80 mil para que o crime fosse realizado. Foi ele quem a levou ao cenário do crime. Por isso, pedimos a prisão dos três — disse o delegado Evaristo Pontes.

Em depoimento, Eduardo disse que a filha do casal chegou em casa com o corpo do pai ainda na sala. Ela foi levada pela mãe diretamente para o quarto.

Via Extra
31/12/2016

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