Samu: ambulância vira táxi que ajuda a furar a fila



Três dias após ter sofrido um derrame, no dia 22 de março, Paulo Roberto de Souza, de 62 anos, precisava ir a um hospital marcar consulta com um cardiologista. A família ligou para o 192. Eram 12h25m quando a equipe chegou à Rua Capitão Mário Barbedo, em Parque Vila Anchieta. Após um breve exame, os técnicos de enfermagem explicaram à família que eles teriam que marcar a consulta por meios próprios.

- Quando liguei para o 192, a menina me perguntou se não havia outro jeito de chegar ao hospital. Eu expliquei que não tinha conseguido carona. Ela então disse que enviaria uma ambulância. Demoraram quase uma hora e não vão levá-lo - reclamou o enteado de Paulo, Arilson da Silva, de 37 anos.

A esposa do aposentado, Ângela da Silva, de 57 anos, também ficou indignada:

- Ele não anda direito. Fica difícil pegar ônibus e depois ficar lá na fila, sabe?

Comandante do Centro de Operações GSE/Samu, o coronel Carlos Bonfim explica que metade das vítimas atendidas pelo serviço apresenta baixa gravidade:

- São pessoas que não deveriam nem ter acionado o Samu. Muitos mentem para conseguir o envio da ambulância. Mesmo com socorro domiciliar, o foco é atendimento pré-hospitalar. Não é conduzir paciente para exames rotineiros ou consultas.

O resultado do mau uso do Samu se vê também nas portas das emergências.

- Sem médico, quase não há resolução em casa. Estamos abarrotando ainda mais as emergências e passamos a ser ‘personas non gratas’ para os chefes de plantão - disse um bombeiro.

Coordenadora do Grupo de Emergência do Cremerj, Érika Monteiro Reis confirma a reclamação:

- Fico muito brava quando trazem paciente sem gravidade. Vejo acontecer a toda hora médico brigando com técnico de enfermagem bombeiro por causa disso.



Via Extra
17/12/2016

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