Unidades 24h de Nova Iguaçu restringem atendimento por superlotação




“Só sala vermelha’’, informa repetidamente um funcionário da emergência da Clínica da Família Vila de Cava, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a cada paciente que chega procurando atendimento. Foi com essa resposta que a dona de casa Michele Ferreira, de 25 anos, foi recebida, quando chegou com a sua filha Melissa, de 3 anos, nos braços, nesta segunda-feira.

— Ela amanheceu vomitando e com dor de cabeça. Mandaram procurar outra unidade, mas eu vou para casa. Não tenho passagem — lamentou Michele, moradora do bairro Santa Rita.

O aposentado Manoel José da Silva, de 92 anos, também voltou para casa. Mesmo com dores no corpo, sequer passou pela triagem:

— Mandaram voltar amanhã e pegar número para marcar consulta no ambulatório.

Manoel, de 92 anos, sentia dores no corpo e procurou a emergência, mas foi orientado a pegar número no dia seguinte para marcar consulta Foto: Guilherme Pinto / Extra


A situação se repete em outras unidades de emergência no município. Seja por falta de médico, medicamentos ou funcionários, quem paga a conta é a população.

Na UPA de Comendador Soares, não há medicamentos e o laboratório não está funcionando, informou um funcionário. A manicure Érica Gomes dos Santos, de 20 anos, não conseguiu atendimento para o filho Érick, de 5, na última sexta. O menino estava com febre de 38,5°C:

— Na porta, já disseram que não havia médico.

Na última sexta-feira, a autônoma Élida Mota Soares, de 25 anos, contou que nem a sala vermelha estava com todos os recursos disponíveis:

— Minha avó de 80 anos infartou na segunda-feira, dia 28, e foi direto para essa sala vermelha. Mas nem exames estão sendo feitos lá.

Érica levou o filho com febre para a UPA de Comendador Soares, mas foi informada de que não havia médicos. O laboratório da unidade também não está funcionando Foto: Cléber Júnior / Extra


Na emergência 24 horas da Clínica da Família de Austin, o “Mais Baixada’’ flagrou uma mulher com três filhos de 3, 7 e 9 anos voltando para casa por não conseguir pediatra. As crianças estavam vomitando.

—Eles estão com vômito, febre e diarreia, mas não atenderam porque não tem medicação. É um absurdo, uma vergonha — desabafou a mulher, que preferiu não se identificar.

Sem filme para exame de raio-X

Na unidade de Austin, que ficou uma semana fechada, também faltam materiais para exames, afirmou o eletricista João Antônio Borba dos Santos, de 47 anos:

— Dia 25 de novembro, minha mãe de 83 anos não conseguiu fazer um raio-X porque não tinha filme.

Um funcionário da unidade disse que está sem receber há dois meses e que a falta de atendimento na unidade é devido à procura de pacientes de outras cidades.

Na emergência da Clínica da Família em Austin, falta de remédios e atendimento restrito Foto: Cléber Júnior / Extra



Leia a resposta da Prefeitura de Nova Iguaçu na íntegra:

A Prefeitura de Nova Iguaçu tem se esforçado ao máximo por meio da Secretaria Municipal de Saúde para garantir atendimento aos moradores e reconhece os problemas pontuais enfrentados, como a falta de medicamento e insumos. Porém, com o agravamento da crise econômica muitas unidades de saúde da Baixada Fluminense fecharam as portas ou deixaram de prestar socorro por falta de estrutura. O problema tem resultado na superlotação das Clínicas da Família 24hs de Nova Iguaçu. Na UPA Municipal de Comendador Soares, por exemplo, os atendimentos aumentaram 40% em apenas um ano. A unidade, que tinha capacidade para receber cerca de 70 mil pacientes/mês, hoje (nesta segunda-feira) passou dos 100 mil.

Com isso, a Secretaria Municipal de Saúde se viu obrigada a restringir os atendimentos na UPA e também nas Clínicas da Família 24hs (Austin, Miguel Couto e Vila de Cava), assim como já foi feito no HGNI e na Maternidade Mariana Bulhões. Os casos de maior gravidade são priorizados.


Via Extra
07/12/2016

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