Acusado de estuprar criança é morto no presídio em Bangu



O primeiro homicídio dentro do sistema penitenciário do Rio em 2017 aconteceu na última segunda-feira. O preso Diego Maradona Silva Souza, de 27 anos, foi encontrado morto “com sinais de morte violenta” na Cadeia Pública Pedro Mello da Silva, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio. A Divisão de Homicídios (DH) investiga o crime.

O detento permaneceu somente 12 dias no sistema penitenciário antes de ser morto. O homicídio aconteceu no dia 16, na cela do seguro do presídio — onde ficam detentos que se dizem ameaçados de morte. Diego foi preso em flagrante em Teresópolis, na Região Serrana, no último dia 4, acusado de estuprar uma criança de 3 anos.

A unidade onde o crime aconteceu, no entanto, abriga presos provisórios da facção criminosa que domina o tráfico de drogas em Acari, na Zona Norte, e na Vila Aliança, na Zona Oeste. O defensor Leonardo Rosa, do Núcleo do Sistema Penitenciário da Defensoria Pública, estranhou o fato de Diego ter sido enviado para esse presídio, já que foi preso por estupro.

— Acusados de estupro não ficam no mesmo presídio que facções criminosas. Esses grupos não aceitam o convívio. Não sei por que colocaram ele lá — afirma Rosa.

Diego já havia sido preso em flagrante por estupro de uma criança em 2010, também em Teresópolis. O processo, entretanto, foi arquivado, e o acusado foi solto no mesmo ano.

O último assassinato registrado no sistema penitenciário também aconteceu na Cadeia Pública Pedro Mello da Silva. Em 23 de novembro de 2016, o detento Cleiton Rooger Valentin foi encontrado morto após uma briga entre presos na unidade. Na ocasião, a Polícia Civil não conseguiu fazer a perícia dentro da cadeia porque o procedimento “comprometeria a segurança da unidade”. Em 2016, foram registrados dois homicídios no Complexo de Gericinó.

Conflito entre presos e protesto

Em meio à greve dos agentes penitenciários, o sistema prisional do Rio registrou ontem um conflito entre presos da mesma facção, na Penitenciária Industrial Esmeraldino Bandeira, no Complexo de Gericinó, e um protesto de detentas que ameaçaram se rebelar se as visitas não forem liberadas, no Presídio Nilza da Silva Santos, em Campos dos Goytacazes. Desde o início da paralisação, a entrada de visitantes e advogados nas unidades está suspensa.

Por causa da paralisação, houve ainda problemas para presos que estavam na Polinter, na Cidade da Polícia, serem transferidos para o Complexo de Gericinó. Agentes se recusaram a receber os detentos. O problema foi resolvido no fim do dia.

Segundo informações de agentes penitenciários, a confusão no Esmeraldino Bandeira ocorreu porque um grupo de detentos, oriundo de Campos, queria se manifestar para poder voltar para sua cidade de origem. Os presos do Rio, no entanto, foram contra e teve início a confusão. Seis internos teriam ficado feridos no confronto. O Grupamento de Intervenção Tática (GIT) precisou ser acionado.

Já em Campos, as detentas jogaram quentinhas no chão, colocaram fogo em objetos, gritavam e batiam nas grades. Elas impediram a entrada das inspetoras penitenciárias, jogando comida e urina nelas. Em vídeo ao qual o EXTRA teve acesso, as presas afirmam que se não receberem visita, haverá rebelião.

Leia, na íntegra, a nota da Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap):

“A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária informa que no dia 16 de janeiro inspetores de segurança e administração penitenciária da Cadeia Pública Pedro Melo da Silva foram chamados à cela por outros internos que diziam que o detento Diego Maradona Silva Souza estava passando mal. Chegando ao local inspetores constataram que ele estava morto. Uma sindicância foi instaurada para apurar o fato. O motivo da morte do interno somente será esclarecido quando ficar pronto o laudo cadavérico do Instituto Médico Legal (IML).
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Cabe ressaltar que o interno estava com outros cinco detentos em uma cela separada dos demais internos desta unidade, chamada "seguro". Os outros companheiros de cela também estavam no seguro”.



Via Extra
19/01/2016

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