Em greve, delegacias do Rio se negam a fazer registros de ocorrência



A dona de casa Maria Luiza Martins, de 58 anos, teve o celular furtado na manhã desta terça-feira e foi à 21ª DP (Bonsucesso) registrar a ocorrência. Não conseguiu passar do balcão de atendimento. Por causa da paralisação de 72 horas da Polícia Civil, decidida em assembleia na noite de segunda-feira, delegacias do Rio só estão registrando ocorrências graves, como homicídios, crimes enquadrados na lei Maria da Penha e flagrantes.

— Preciso fazer o registro para dar entrada no seguro do celular. Não sabia que estava em greve, fui pega de surpresa. Vou ter que voltar para casa, já que não posso nem entrar em contato com alguém para pedir ajuda — lamenta Maria Luiza.


Vítima de assalto, Alessandra fez o registro pela internet Foto: Fabiano Rocha

A estudante Alessandra Silva de Mendonça, de 22 anos, teve o atendimento negado na 22ª DP (Penha Circular). A jovem foi assaltada dentro de um ônibus, em Copacabana, na tarde de segunda-feira. À noite, tentou registrar a ocorrência na delegacia do bairro da Zona Sul do Rio, mas foi informada que a greve já tinha começado, e orientada a registrar a ocorrência pela internet.

— Registrei a ocorrência na delegacia online e hoje vim à 22ª DP para me informar sobre o procedimento, já que os bandidos levaram não só meu celular, mas também meus cartões e documentos. O atendente não deixou nem eu terminar de contar a história. Foi logo dizendo: "Minha senhora, estamos em greve". Quando perguntei quando teria informações sobre o registro, ele respondeu: "Só Deus sabe" — conta a estudante, que desabafa: — Sempre paguei meus impostos e na primeira vez que realmente precisei recorrer à polícia me senti completamente desamparada e sem chão. A ordem pública do Rio está uma desordem total.

Cartaz alerta sobre greve na 25ª DP Foto: Fabiano Rocha

Na 25ª DP (Engenho Novo), um cartaz colado na porta informa sobre a greve. No aviso, consta que a unidade só atenderá "APF (auto de prisão em flagrante), crimes violentos, remoção de cadáver e roubo e furto de veículo".

A paralisação foi decidida em assembleia realizada na noite de segunda-feira, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Dezenas de policiais civis participaram da votação. Representantes dos sindicatos da Polícia Civil, dos delegados e dos peritos também estiveram na reunião.

Nas delegacias, agentes reclamam da falta de pagamento do Regime Adicional de Serviço (RAS) olímpico e dos demais RAS, além de falta de manutenção nas viaturas, reposição deficitária de munições e falta de materiais básicos como papel higiênico e folhas de papel A4, utilizadas para imprimir os registros de ocorrência.

No Instituto Médico-Legal (IML), só os casos considerados emergenciais são atendidos. Na manhã do último sábado, os policiais civis já tinham feito uma paralisação. Na ocasião, os agentes das delegacias cruzaram os braços por quatro horas, depois passaram a atender apenas casos muito graves.

Em nota, a Polícia Civil diz que "não se manifesta sobre o teor de decisão de entidade de classe e esclarece que os serviços emergenciais serão mantidos".


Via Extra
17/01/2017

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