Em Japeri, agentes penitenciários são ameaçados pelo tráfico; cabine de presídio foi alvo de tiros

O presídio João Carlos da Silva, em Japeri Foto: Reprodução

Além da tensão dentro do sistema prisional, os inspetores lotados nas penitenciárias de Japeri, na Baixada Fluminense, ainda precisam lidar com as ameaças de bandidos no entorno das unidades. Há pelo menos um mês, os agentes são obrigados a abaixar os vidros ao chegar de carro para trabalhar e são submetidos a revistas. Desde a última semana, pelo menos três servidores já foram assaltados na região. Na última terça-feira, a guarita da Cadeia Pública Cotrim Neto foi alvejada a tiros pelos criminosos.



O inspetor que estava no local tentava filmar criminosos circulando armados numa das matas da região. No meio do vídeo, é alvo de disparos. “Tá na linha do trem, cara. Tem uns 15 malucos na linha do trem, ali. Viraram para cá e mandaram”, disse o agente par outro colega, pelo rádio. Ninguém ficou ferido. Segundo o servidor, havia pelo menos seis criminosos armados com fuzis.

Os inspetores cobram providências da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e ameaçam impedir que os presos recebam visitas, caso medidas não sejam tomadas.

- Exigimos que o Estado resolva nosso problema de segurança. Estamos sendo humilhados e hostilizados. Vão esperar um inspetor morrer para tomar providências? - questiona Gutembergue de Oliveira, presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penal do Rio.

Desde a última semana, dois servidores tiveram os carros roubados e um, o cordão. Em outra situação, os criminosos chegaram a atirar contra um agente que auxiliava um colega cujo pneu do carro havia furado, e se assustou com a chegada dos bandidos.

- Eles foram ficando mais ousados, até chegarem a essa situação atual. Foram percebendo a fragilidade do Estado e passaram a nos atacar dessa forma — diz Gutembergue.

As favelas de Japeri vivem uma guerra de facções desde julho de 2016. Frequentemente, bandidos que perderam o controle das comunidades, escondidos na mata, atacam os rivais, tentando retomar as áreas invadidas.

Veja abaixo a resposta da Seap:

“A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informa que não há paralisação e a rotina das unidades prisionais de Japeri permanece normal. A Seap informa ainda que na última terça-feira, houve uma reunião entre os diretores das unidades e o comandante do 24º BPM e o policiamento já foi reforçado. Ressaltamos que ontem houve uma ação policial na área, mas a guarita não foi atingida e ninguém ficou ferido. Quanto às demais informações, não serão divulgadas por medidas de segurança”.

Veja abaixo a resposta da PM:

“A PMERJ foi acionada pela SEAP. De acordo com o comandante do 24º BPM (Queimados), tenente-coronel André Santos de Souza, houve uma reunião entre ele e os diretores da Cadeia Pública Cotrim Neto, na última terça-feira (10/01). No encontro, ficou decidida a criação de um patrulhamento motorizado - e que já está atuando naquela região - assim como garantir a segurança dos moradores do entorno daquela localidade”.


Via Extra
13/01/2017

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