Novo comandante do batalhão de Caxias quer prender o traficante Charlinho do Lixão

Comandante está há quase três meses no batalhão Foto: Cléber Júnior / Extra

No comando do batalhão de Duque de Caxias há quase três meses, o tenente-coronel Sérgio Porto, de 47 anos, traçou como estratégia ocupar a Favela do Lixão, no Centro da cidade, para diminuir os índices de roubos na região. Além disso, o policial está na busca pelo traficante Charlinho do Lixão, apontado como chefe do tráfico do local. O bandido é filho do traficante Charles Silva Batista, o Charles do Lixão, e sucessor natural do seu pai no comando do comércio de drogas na região. A Favela do Lixão é um dos principais pontos de drogas da Baixada, e uma das principais bases do traficante Fernandinho Beira-Mar.


Qual avaliação o senhor faz desses primeiros meses à frente do 15º BPM?

Eu assumi o comando da unidade no dia 23 de novembro. Assumi com a missão de dar continuidade ao trabalho do meu antecessor (tenente-coronel Marco Aurélio). Nós entendemos que a cidade precisa melhorar em alguns aspectos, como a repressão aos bailes funks não autorizados, repressão a motocicletas em situação irregular e, principalmente, na repressão ao crime organizado. Somente agora em janeiro, já realizamos 67 prisões e apreendemos 18 armas.

Qual maior dificuldade encontrada em Caxias?

O Estado passa por uma crise financeira e isso afeta diretamente nosso trabalho. De um lado, a situação econômica pode levar o cidadão a praticar delitos, do outro, a situação do Estado atrapalha quando faltam recursos para manutenção de viaturas, pagamento de salários... Estamos contando com ajuda da Prefeitura, que está nos ajudando no conserto de viaturas, por exemplo.


Quais comunidades que mais preocupam na cidade?

Quando assumi, minha principal missão era pacificar a Favela do Lixão, pois além de estar muito próximo ao Centro, ela também era foco de irradiação de marginais que praticavam roubos em toda cidade. Por isso, resolvi, com recursos próprios, seja logístico e humanos, ocupar o Lixão. Com relação as demais, temos o “Vai quem quer” e o “Jardim Gramacho” como as que mais nos preocupam. Já estamos estudando medidas para atuar mais efetivamente nelas.

E qual traficante mais procurado pelo batalhão?

Charlinho do Lixão é procurado pela polícia
Charlinho do Lixão é procurado pela polícia Foto: Reprodução

É o Charlinhos do Lixão, sem dúvidas. Estamos atrás dele. Nós recebemos vários relatos de moradores de que o Charlinho estaria recebendo e abrigando bandidos de várias localidades e ainda permitindo que eles pratiquem delitos em Caxias. Nossos esforços estão concentrados em prendê-lo o mais rápido possível.


Como está sendo feito o patrulhamento nas ruas de Caxias? Há alguma novidade?

A principal novidade foi a adoção de um sistema de acompanhamento e responsabilização dos policiais. Ou seja, os melhores policiais, que são aqueles que impedem os delitos e ainda realizam prisões e apreensões serão premiados e valorizados. Os que pouco produzem serão realocados primeiramente dentro do batalhão em outros serviços e, se não se adaptarem, serão transferidos para outros batalhões. Aqui vai valer a meritocracia.

Qual é a sua principal característica? É um comandante combatente?

Na minha carreira na PM, sempre fui operacional. Mas, o combate hoje deixo para meus valorosos oficiais e praças. Eu fico mais na administração, fornecendo suporte para as ações e meios para a execução.
Qual efetivo do batalhão? Vai ganhar reforço? Qual seria o número ideal de policiais para Caxias?
Hoje contamos com 793 policiais.

Operações em favelas são feitas diariamente
Operações em favelas são feitas diariamente Foto: Cléber Júnior / Extra

Qual tipo de crime preocupa mais o senhor? Além do homicídio, seria o roubo a pedestres ou de veículos?

Afeta hoje é roubo de veículos e de rua. No primeiro distrito, ocupamos o Lixão, e já notamos que esses índices estão diminuindo. Só que notamos um aumento no entorno da Vila Ideal. Estamos estudando um projeto de ocupar ou não. Mas, com a crise financeira, fiquei sem recursos. Antes tínhamos uma locadora de veículos e 22 viaturas reservas. Hoje, não tem isso. Hoje, dependo da ajuda da Prefeitura, de alguns sindicatos e até de algumas associações de moradores para ajudar o batalhão nesse sentido.

Como está essa relação com o governo municipal? Eles vão te ajudar de alguma forma?

Sim. Pode ser até que ele (prefeito Washington Reis) compre viaturas para o batalhão. Geralmente, quando compram carros novos para a Guarda, eles acabam comprando para o batalhão também. Fiz esse pedido ao Washington e ele ficou de avaliar. Além disso, eles nos ajudam com máquinas e as retroescavadeiras para ajudar na retirada de barricadas.


O senhor tem feito operações diárias para a retirada dessas barricadas?

Minha meta é retirar todas as barricadas das favelas de Caxias. Já consegui tirar de todas do primeiro distrito e agora estamos passando para o segundo. Ainda têm áreas com barricadas, como Pantanal, Dique, Capivari. Em algumas dessas, as barricadas são mais complicadas. Tem trilho de trem fincado no chão ou valas no meio da rua. Nem morador passa. Algumas ruas estão fechadas com muros.

Como a população pode ajudar com denúncias sobre assaltos e informações diretamente com o batalhão?

Eu deixo o meu WhatsApp disponível para a população (21 98596-8053). Distribuo panfletos com meu número nas comunidades. Peço que a população nos ajude nessa missão, fazendo denúncias, críticas. Não vamos tolerar desvios de condutas de nossos policiais, como não vamos admitir que o poder paralelo se instale aqui. Denunciem!

Via Extra
30/01/2017


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