Parentes de presos protestam por superlotação do sistema carcerário e condições precárias em Bangu



Parentes de presos que estão no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, confirmam os problemas apontados pelo Ministério Público sobre a superlotação do sistema carcerário do estado. Como mostrou a reportagem do RJTV 1ª edição, as famílias fizeram um protesto nesta sexta-feira (13) e pediam a transferência deles. As mulheres, que são parentes de ex-policiais, têm medo.

“Ex-policiais militares, ex-policiais civis, bombeiros e muito dos milicianos que estão lá dentro, por não serem ex-funcionários, foram presos por eles próprios e permanecem presos até hoje. Eles estão com medo, eles estão acuados, eles estão apreensivos”, disse uma das mulheres.

“O meu parente passou mal aqui, meu parente é ex-policial e ele foi socorrido pra UPA junto com mais 70 presos comum. Só ele de ex-PM. e foi um constrangimento pra ele, porque logo a seguir descobriram que ele era ex-PM”, contou uma outra mulher.

Além de temer um massacre no Complexo de Bangu, como aconteceu em Manaus e Roraima, as mulheres também dizem estar sofrendo ameaças. “A gente entra, elas mexem com a gente, elas puxam o cabelo, teve amigas que já tiveram que descer do ônibus”, relatou uma delas.

Elas também dizem que, em Bangu 9, há superlotação e falta água, além de ter rato e falta de luz. Os familiares denunciam que, em Bangu 6, onde os ex-policiais cumpriam pena antes da transferência, houve, há uma semana, uma tentativa de invasão da galeria por presos comuns, durante a visitação.

“O guarda chegou por volta de 13h30, pátio lotado, com criança, gente idosa, todo mundo com suas famílias, falando que os presos do outro lado, estavam querendo invadir”, disse uma das familiares.

As denúncias reforçam o relatório do Ministério Público que pediu, com urgência, um plano para reduzir o número de presos nas cadeias de todo o estado. Segundo o MP, nos últimos três anos a população carcerária no estado aumentou 50%: são 50 mil detentos atualmente, contra 33 mil em 2013. Esse crescimento não foi acompanhado pela abertura de novas vagas no sistema prisional - no mesmo período, foram criadas apenas 173.

Com mais presos, mas sem novas vagas, a taxa de ocupação do sistema no estado passou de 124% da capacidade total, em 2013, para 185% em dezembro do ano passado, o que equivale a um déficit de 23 mil vagas para detentos. Um levantamento feito pelo G1 mostra que, dez presos morreram no sistema penitenciário do estado do Rio de Janeiro nos primeiros dez dias de 2017.

Das nove unidades prisionais femininas, 6 apresentam ocupação acima de 100% de sua capacidade, representando um excedente de 468 internas. Entre as 36 unidades prisionais masculinas, 29 apresentam ocupação acima de 100% de sua capacidade, totalizando um excedente de 22.562 internos.

Falta de pessoal e de dinheiro


O documento do MP revela o tamanho da crise das contas do estado no sistema prisional. No fim de novembro do ano passado, a dívida da Secretaria de Administração Penitenciária com fornecedores chegava a R$ 172 milhões, além de outros R$ 46 milhões de restos a pagar de 2015.

Para o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, há outro problema: a falta de mão de obra. São 4 mil agentes para as 47 penitenciárias e as 4 unidades de saúde. Como eles trabalham em escala, o presidente diz que são 400 agentes por turno para lidar com mais de 50 mil presos.

A Secretaria de Administração Penitenciária encaminhou um relatório respondendo ao Ministério Público, onde afirma que o problema de água está sendo resolvido, e que o fornecimento de refeições não foi interrompido. De acordo com a Seap, atualmente, as unidades prisionais do estado estão com 51.113 internos e, desse total, 21.450 são provisórios. A Secretaria também informou que mais duas unidades prisionais estão sendo costruídas, uma em Gericinó e outra em Resende, que será inaugurada esse ano.

Via G1
13/01/2017


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