Professora diz que morte da menina Sofia, filha de um PM, foi justiça divina e causa revolta



A professora de História da rede estadual de ensino do Rio Denise Oliveira classificou a morte da menina Sofia Lara Braga, de 2 anos, como "justiça divina". Em seu perfil no Facebook, ela ainda acusa o pai da criança, o policial militar do 16º BPM (Olaria) Felipe Fernandes, de 34 anos, de ser do 41º BPM, de onde eram os policiais que participaram da morte de cinco jovens em Costa Barros, na Zona Norte do Rio, em novembro de 2015. Ela diz que "ontem a dor de uma família, hoje a dor é na sua família".

O pai da menina não faz parte do batalhão citado por Denise. Os PMs que respondem pelo crime são: o soldado Antônio Carlos Gonçalves Filho, o cabo Fábio Pizza de Oliveira da Silva, o soldado Thiago Resende Viana Barbosa e o sargento Márcio Darcy Alves dos Santos. Os quatro estão presos.






A postagem recebeu uma enxurrada de críticas. A uma delas, Denise respondeu: "Ah, esqueci de dizer, podem xingar à vontade, Deus já fez a parte dele. A você só resta xingar mesmo. Kkkkkk". O perfil da professora foi retirado do ar, mas o post viralizou e é compartilhado em muitos grupos e perfis de policiais militares. Um deles escreveu:

"Se alguém conhece o pai da criança que morreu baleada dentro do Habib's, mostre a ele pois essa "senhora" tem que ser processada. Meus sentimentos ao Policial".

Outras pessoas também reagiram:

"Que absurdo meu DEUS, não dá nem para acreditar nisso!!!".

"Ele já está sofrendo demais. Acho que não merece ver esse lixo de postagem".

"Não sei nem o que falar, porque se eu começar a expressar tudo o que estou pensando vou parar só amanhã".

"Essa senhora deveria procurar fazer alguma coisa boa pelo próximo e para de falar uma m* dessa!".

"Vamos sim denunciar para Secretaria de Educação".

"Credooo... lamentável".


A menina morreu com 2 anos Foto: Reprodução

O EXTRA entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação que informou que abrirá uma sindicância para apurar a conduta da professora. Além disso, a profissional não poderá poderá voltar ao trabalho enquanto a sindicância não terminar:

"A Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) ao tomar conhecimento imediatamente instaurou comissão de sindicância para apurar o ocorrido. A Seeduc informa, ainda, que as escolas de sua rede estão em período de férias e tanto o diretor da unidade de ensino em que a docente trabalha quanto a direção regional foram orientados a não alocarem a professora até o fim da sindicância".

Denise também foi procurada e, por e-mail, informou que não teve intenção de de ofender ninguém e que fez apenas "uma analogia entre as família destruídas pela violência":

"Eu gostaria de esclarecer que em nenhum momento faltei com o respeito a menina Sofia (sic), a qual chamo de anjo. O que eu fiz foi uma analogia entre as família (sic) destruídas pela violência. Não sei pq as pessoas deram esse vulto todo a um post, que não tinha a menor intenção de ofender ninguém. Eu exclui meu face, e não pretendo voltar a ativa lo (sic). As pessoas não conseguem fazer uma simples interpretação de texto. Estou assustada com tudo isso".

Morte em lanchonete

A menina Sofia foi atingida por uma bala perdida na noite do último sábado, dentro de uma lanchonete Habib's, em Irajá, na Zona Norte do Rio. A morte da garota causou comoção. Em entrevista ao EXTRA, o soldado Felipe Fernandes lembrou o último dia passado ao lado da menina:

- Ela estava muito feliz, estava brincando como nunca. Logo que acordou, já me chamou porque queria sair de casa, queria brincar. Parecia que estava com pressa de viver. Por isso, fomos no Habib’s lanchar com toda a família. Meu pai e minha mãe também estavam lá. A Sophia, mesmo cansada, brincou como nunca tinha brincado antes. Parece que ela sabia que podia acontecer alguma coisa.


Hérica, mãe de Sophia, e Felipe mostram álbum de fotos de Sofia recém-nascida Foto: Marcelo Theobald/EXTRA


Polícia faz perícia complementar em lanchonete

​A Divisão de Homicídios (DHJ) fez, nesta terça-feira, uma perícia complementar na lanchonete onde Sofia foi ferida. O objetivo da ação foi, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, "colher novas provas que auxiliem na investigação do homicídio de Sophia Clara Braga, de 2 anos, atingida por um tiro enquanto brincava no espaço destinado a crianças da loja, no último domingo dia 22".


Os policiais na lanchonete Foto: Polícia Civil / Divulgação

A perícia foi realizada no brinquedo onde a menina estava quando foi atingida. Os agentes também percorreram o trajeto, desde o início da perseguição feita pelos policiais militares até a captura de Thiago Rodrigues dos Santos, de 23 anos. Refazer esse percurso tem por objetivo determinar a origem do tiro que causou a morte de Sophia.​



Via Extra
24/01/2017

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