Professora que chamou morte de menina de ´justiça divina´ é intimada a depor



A professora Denise Oliveira, que classificou a morte da menina Sofia Lara, de 2 anos, como "justiça divina", foi intimada a prestar depoimento na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). A informação é da delegada Daniela Terra, titular da especializada. A ideia é que Denise seja ouvida nesta sexta-feira, mas o prazo pode ser estendido até a próxima terça.



Felipe e Hérica após denunciarem a professora Foto: Fabiano Rocha / Extra

Denise foi denunciada por calúnia pelos pais de Sofia nesta quarta-feira. Hérica e Felipe Fernandes estiveram na DRCI. O casal quer que Denise seja punida pela declaração que, segundo a mãe de Sofia "é inaceitável".

- Perdi minha filha e ainda tenho que passar por isso, ler essas coisas. Porque assim, eu vou ser muito sincera com você: não estou com tanto ódio do bandido (que disparou a bala perdida que atingiu Sofia). Ele não pensou: "vou matar uma criança". Mas essa mulher riu de uma criança morta. É inaceitável. Em momento algum minha filha vai pagar por morte de ninguém. Ela é um anjinho. Essa mulher nos agrediu física e moralmente - disse ela ao EXTRA.

Professora pede desculpas

Nesta quarta, Denise divulgou uma carta na qual pede desculpas a Hérica e Felipe. Na mensagem, ela diz que, apesar de não ter filhos, sabe "o que é ver mães sofrerem" e ter tido consciência do "inconcebível comentário" que fez.

"Prezados senhores Hérica e Felipe Fernandes,

Venho aqui, primeiramente, para me desculpar sobre a postagem que eu fiz em relação à violência que vitimou a menina Sophia. Não tenho filhos de sangue, somente de coração, mas independentemente disso, sei o que é ver mães sofrerem pela perda de seus filhos, pois sou professora da rede pública e acompanho o sofrimento das mesmas cotidianamente. Por isso e por ter tido consciência do inconcebível comentário que eu fiz, é que venho me desculpar. Fui insensível a dor de vocês neste momento e me sinto muito envergonhada disso. Imagino que isso não vá diminuir a revolta de vocês, seus familiares e amigos, mas pelo menos para mim, refletir sobre esse erro me fará ponderar minhas emoções nas redes sociais e, talvez quem sabe, levar outras pessoas como eu a reverem suas posturas.

Gostaria de ressaltar que eu não sou mãe, nem de coração, do Murilo Braga (circulou um boato em redes sociais a respeito do parentesco, negado pelo rapaz). Ele é meu ex-aluno, portanto não tem nada a ver com o meu erro nesta infeliz postagem.

Sem mais, peço perdão a todos.

Denise Oliveira"

Entenda o caso

A professora de História da rede estadual de ensino do Rio Denise Oliveira viralizou após escrever em seu perfil no Facebook que a morte de Sofia foi uma "justiça divina". No texto, ela ainda acusou o pai da criança de ser do 41º BPM, de onde eram os policiais que participaram da morte de cinco jovens em Costa Barros, na Zona Norte do Rio, em novembro de 2015. Ela diz que "ontem a dor de uma família, hoje a dor é na sua família".

O pai da menina não faz parte do batalhão citado por Denise e nem é acusado do crime que ela cita. Os PMs que respondem pelas mortes em Costa Barros são: o soldado Antônio Carlos Gonçalves Filho, o cabo Fábio Pizza de Oliveira da Silva, o soldado Thiago Resende Viana Barbosa e o sargento Márcio Darcy Alves dos Santos. Os quatro estão presos.

- Meu marido sequer era daquele batalhão. É um policial militar exemplar - disse Hérica.




A postagem de Denise recebeu uma enxurrada de críticas. A uma delas, Denise respondeu: "Ah, esqueci de dizer, podem xingar à vontade, Deus já fez a parte dele. A você só resta xingar mesmo. Kkkkkk". O perfil da professora foi retirado do ar, mas o post viralizou e é compartilhado em muitos grupos e perfis de policiais militares. Um deles escreveu:

"Se alguém conhece o pai da criança que morreu baleada dentro do Habib's, mostre a ele pois essa "senhora" tem que ser processada. Meus sentimentos ao Policial".

Outras pessoas também reagiram:

"Que absurdo meu DEUS, não dá nem para acreditar nisso!!!".

"Ele já está sofrendo demais. Acho que não merece ver esse lixo de postagem".

"Não sei nem o que falar, porque se eu começar a expressar tudo o que estou pensando vou parar só amanhã".

"Essa senhora deveria procurar fazer alguma coisa boa pelo próximo e para de falar uma m* dessa!".

"Vamos sim denunciar para Secretaria de Educação".

"Credooo... lamentável".

A menina morreu com 2 anos Foto: Reprodução


Professora é alvo de sindicância

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação que informou que abrirá uma sindicância para apurar a conduta da professora. Além disso, a profissional não poderá poderá voltar ao trabalho enquanto a sindicância não terminar:

"A Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) ao tomar conhecimento imediatamente instaurou comissão de sindicância para apurar o ocorrido. A Seeduc informa, ainda, que as escolas de sua rede estão em período de férias e tanto o diretor da unidade de ensino em que a docente trabalha quanto a direção regional foram orientados a não alocarem a professora até o fim da sindicância".


Via Extra
26/01/2017


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