Professora que classificou morte de menina como justiça divina depõe e diz: 'Me arrependo amargamente'



A professora Denise Oliveira prestou depoimento, na manhã desta sexta-feira, na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). Ela chegou à sede da especializada, na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, Zona Norte do Rio, acompanhada de duas mulheres - uma delas sua advogada, Eloísa Samy. A professora foi denunciada por calúnia pelos pais de Sofia Lara, de 2 anos, após classificar a morte da menina como "justiça divida" numa postagem no Facebook.

Denise chegou de cabeça baixa à Cidade da Polícia. Ela falou com os jornalistas e voltou a afirmar que se arrepende da postagem.

- Da postagem, eu me arrependo amargamente, foi de uma infelicidade, que eu me envergonho de coração. Algumas pessoas podem dizer que estou com medo, que por conta desse barulho todo eu estou sendo hipócrita, figindo, mas não. Eu tive tempo de refletir, de repente até outros comportamento que não estavam alinhados comigo... Se houvesse um momento em que eu pudesse voltar atrás, nunca teria escrito. Eu realmente fiz uma coisa muito, mas muito ruim, que foi contra mim mesmo. Peço perdão à sociedade por isso - disse.


O perfil da professora, que foi retirado do ar Foto: Reprodução


Ela alegou ainda ter sido mal compreendida:

- Eu trabalho na favela. Muita das vezes a gente não pode entrar na escola porque o tiro está comendo. Meus alunos muitas vezes estão cambaleando em cima das carteiras por não terem conseguido dormir por conta dos confrontos. Tudo o que eu queria mostrar é que a bala que mata meu aluno também mata qualquer pessoa. E a gente está vivendo uma guerra que não tem vencedores. Só tem dores. Nós estamos reféns. Isso é muito grave, isso é muito sério. E as pessoas parecem que não entenderam. Elas entram numa de que eu protejo bandido e eu não protejo bandido. Eu não gosto de bandido. Agora, todo mundo tem direito de se defender.

A professora voltou a dizer que sua postagem foi uma comparação.

- Fiz uma comparação entre a chacina de Costa Barros, na qual infelizmente a mãe de um dos meninos, o que estava comemorando o primeiro salário, morreu de depressão, isso passou batido pela mídia. E os acusados foram absolvidos. A família foi totalmente dizimada - afirmou.

Denise e a advogada Eloísa Samy (de blusa cinza) Foto: Fabiano Rocha / Extra

Denise disse ainda que nos últimos dias não consegue mais sair de casa:

- Jamais poderia imaginar que uma coisa dessas. Não consigo chegar à janela. Vou ao psiquiatra porque sinto que estou entrando numa síndrome do pânico. Estou aqui me tremendo toda. Eu só quero ficar quieta, dentro de um quarto, com a janela fechada.

A advogada Eloísa Samy disse temer que Denise sofra algum tipo de retaliação.

- Chegou ao meu conhecimento que grupos de policiais no WhatsApp querem fazer retaliações. Isso é motivo de preocupação para ela. No dia seguinte à postagem, foi aberta uma sindicância na Seeduc (Secretaria estadual de Educação). Ela está suspensa, ela está sem salário. É uma funcionária do estado que já está sofrendo com a falência do estado e, agora, está com salário suspenso. Uma medida totalmente arbitrária - afirmou.

A menina Sofia Lara brincava num parquinho quando foi atingida Foto: Reprodução

Eloísa falou ainda que a professora já está sofrendo as consequências da postagem feita:

- Foi um comentário irrefletido em que as consequências vieram logo em seguida e pesadas demais.

A professora foi ouvida dentro do procedimento instaurado na DRCI para apurar o crime contra a honra. Além do comentário sobre a morte de Sofia, Denise também ainda acusou o pai da menina, o policial militar Felipe Fernandes, de participar das mortes de cinco jovens em Costa Barros, na Zona Norte do Rio. Ele, porém, em momento algum foi acusado do crime.

Após o caso ganhar repercussão, Denise pediu desculpas a Felipe e Hérica Fernandes. Os dois, porém, querem que a professora seja punida.

- Perdi minha filha e ainda tenho que passar por isso, ler essas coisas. Porque assim, eu vou ser muito sincera com você: não estou com tanto ódio do bandido (que disparou a bala perdida que atingiu Sofia). Ele não pensou: "vou matar uma criança". Mas essa mulher riu de uma criança morta. É inaceitável. Em momento algum minha filha vai pagar por morte de ninguém. Ela é um anjinho. Essa mulher nos agrediu física e moralmente - disse a mãe de Sofia ao EXTRA.

Entenda o caso

Professora de História da rede estadual de ensino do Rio, Denise viralizou após escrever em seu perfil no Facebook que a morte de Sofia foi uma "justiça divina". No texto, ela ainda acusou o pai da criança de ser do 41º BPM, de onde eram os policiais que participaram da morte de cinco jovens em Costa Barros, na Zona Norte do Rio, em novembro de 2015. Ela disse que "ontem a dor de uma família, hoje a dor é na sua família".

O pai da menina não faz parte do batalhão citado por Denise e nem é acusado do crime que ela cita. Os PMs que respondem pelas mortes em Costa Barros são: o soldado Antônio Carlos Gonçalves Filho, o cabo Fábio Pizza de Oliveira da Silva, o soldado Thiago Resende Viana Barbosa e o sargento Márcio Darcy Alves dos Santos. Os quatro estão presos.




A postagem de Denise recebeu uma enxurrada de críticas. A uma delas, Denise respondeu: "Ah, esqueci de dizer, podem xingar à vontade, Deus já fez a parte dele. A você só resta xingar mesmo. Kkkkkk". O perfil da professora foi retirado do ar, mas o post viralizou

Após tomar conhecimento do fato, a Secretaria estadual de Educação abriu uma sindicância para apurar a conduta de Denise e decidiu afastá-la do trabalho até o resultado da investigação.


Via Extra
27/01/2017

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