Centro de Operações que monitorava Nova Iguaçu com 76 câmeras pára, e moradores reclamam da violência

O Conig foi inaugurado ano passado para monitorar o município 24 horas Foto: Cléber Júnior / Extra

Prestes a completar um ano, o Centro de Operações de Nova Iguaçu (Conig), na Baixada Fluminense, criado com o objetivo de monitorar a cidade 24 horas por dia, parou de realizar o serviço. A interrupção do funcionamento do órgão pegou de surpresa moradores, que acreditam que a violência tenha aumentado na região.

A servidora pública Deise Gaspar, de 51 anos, teme que agora seja mais difícil identificar acidentes:

— Mal começou e já acabou. Nesse trecho da Avenida Governador Roberto Silveira tem muitos acidentes. Agora vai ficar difícil até para os órgãos competentes identificarem quem causou um
.

Nataniel foi informado que o Conig não estava funcionando Foto: Cléber Júnior / Extra

O autônomo Nataniel Sabino, de 53, precisou solicitar as imagens das câmeras do Conig na última sexta-feira, quando um amigo sofreu uma tentativa de furto. Mas Nataniel não conseguiu atendimento.

— Foi por volta das 11h. Tentaram levar o carro, ele viu e gritou. O homem fugiu e nós fomos pedir as imagens no Conig, mas um funcionário disse que não estava mais funcionando — lamentou o autônomo, que mora há 24 anos na cidade.


Deise reclama de acidentes na região Foto: Cléber Júnior / Extra

A equipe do EXTRA foi até o Conig ontem para checar se o monitoramento por câmeras estava funcionando, mas um funcionário disse que não tinha informações sobre o assunto. Também não havia movimentação de pessoas trabalhando no local.

Segundo um ex-funcionário da prefeitura, o serviço foi interrompido no início deste ano. A população está com medo por causa da falta de segurança. O auxiliar de escritório George Augusto, de 26, disse que a região do Centro está mais perigosa.

— Quando o serviço funcionava, o assalto tinha diminuído. Agora sentimos que está mais perigoso — desabafou George.

Dívida que chega a R$1,4 milhão

A Prefeitura de Nova Iguaçu disse que há uma dívida da gestão passada com a empresa de cerca de R$ 1,4 milhão, e que a empresa nunca foi paga pelos serviços prestados. A prefeitura também explicou que o contrato da Comtex — que fazia manutenção de câmeras, monitoramento remoto e integração do sistema de informação — terminou em dezembro e uma nova licitação está sendo providenciada.

A atual gestão garantiu que está avaliando o contrato e irá renegociar os valores com a empresa. Ainda segundo o município, o Conig está sendo reformulado para gerar dados que possibilitem o planejamento de ações em prol do funcionamento da cidade, e não só registrar fatos do cotidiano. Disse ainda que, no fim da gestão passada, os funcionários nomeados foram exonerados, e que, desde janeiro, agentes de trânsito concursados foram realocados para o Conig e passam por capacitação. A empresa disse que fazia a manutenção de equipamentos, mas que nenhuma parcela foi paga desde o início do contrato e que tentou sem êxito a negociação. O ex-prefeito Nelson Bornier negou que haja dívida e que tenha exonerado funcionários em dezembro. Disse que o local funcionou até o último minuto de sua gestão.

Segundo o 20ºBPM (Nova Iguaçu), não houve o fim do serviço, mas uma redução no número de câmeras, o que não afetou o patrulhamento. A corporação disse ainda que, baseado no ISP, houve redução de 46% nos roubos de rua na cidade em janeiro em relação a dezembro.

O ex-secretário de Transporte e Trânsito, Rubens Borborema na inauguração do Conig, em 2016 Foto: Roberto Moreyra / 21-03-2016 / Extra

Inaugurado com pompa em março

O Centro de Operações de Nova Iguaçu (Conig) foi inaugurado dia 22 de março com 76 instaladas em pontos estratégicos do Centro e de bairros adjacentes.

A escolha desses locais foi feita com base na mancha criminal analisada pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). O Conig era integrado a 14 órgãos, entre eles as secretarias de Obras, Defesa Civil e Ordem Pública, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.

Todas as informações em tempo real eram interconectadas para visualização, monitoramento e análise na Sala de Controle, em um telão composto por 14 telas de Vídeo Wall, de 55 polegadas cada.

Na Sala de Crise, equipada com outro telão composto por quatro telas de Vídeo Wall, de 55 polegadas cada, e com acesso às imagens do Centro de Operações, eram realizadas reuniões em situações de calamidade.

Em quatro turnos, 50 agentes monitoravam as imagens das câmeras. O investimento foi de R$ 3,6 milhões. Deste valor, R$ 700 mil foram do município. O restante veio do Governo Federal. Para a passagem da tocha olímpica em Nova Iguaçu, 13 câmeras foram voltadas ao trajeto.


Via Extra
15/02/2017


Compartilhe nas redes sociais

LEIA OUTRAS NOTÍCIAS QUE ESTÃO BOMBANDO NO BAIXADA VIVA

Próximo post
« Prev Post
Post anterior
Next Post »