´Fatalidade´, diz marido que matou a mulher em suposta brincadeira



O homem que matou a própria mulher durante uma suposta brincadeira dentro de uma padaria em Praia Grande, no litoral de São Paulo, afima que não se lembra de como tudo aconteceu. Durante depoimento à Polícia Civil, Alexandre Severino de Noronha, de 35 anos, disse que tudo não passou de uma fatalidade e que não tinha certeza se havia apertado o gatilho. Francisca Marinheiro, de 37 anos, morreu poucos minutos após ter sido atingida por um disparo.

Imagens de câmeras de monitoramento obtidas pelo G1 mostram toda a ação. No vídeo, é possível ver quando o suspeito aponta a arma, em um primeiro momento, para um funcionário do local. Em seguida, ele mostra o revólver para a esposa, que trabalha na padaria em horários diferentes do marido, e o revólver acaba disparando. O suspeito se desespera e a mulher é socorrida por funcionários.

"Comprei a arma para me proteger de bandidos. Mostrei para o funcionário e brinquei com ele. Em seguida fui mostrar para a minha mulher e ela ficou assustada. Cheguei a tirar a munição, para mostrar que não havia perigo e apontei. Não sei o que aconteceu. Não me lembro de ter apertado o gatilho. Foi uma fatalidade", afirmou Noronha.

De acordo com informações obtidas pelo G1, o juiz do plantão judiciário manteve a decisão de manter o suspeito preso por homicídio doloso. Nesta segunda-feira (13), porém, os advogados de Noronha vão entrar com um pedido de liberdade provisória no fórum de Praia Grande.

O crime aconteceu na padaria Santa Terezinha, localizada na Avenida Presidente Kennedy, uma das mais movimentadas da cidade. Noronha e Francisca eram gerentes do local e estavam no meio do expediente quando ele resolveu mostrar a arma que havia comprado para a mulher.

De acordo com informações do delegado Alexandre Comin, responsável pelo registro da ocorrência, o casal trabalha em horários diferentes e o disparo acabou sendo feito durante a troca de turnos. O casal estava em um quartinho no fundo da padaria, onde os funcionários possuem um local reservado para conversarem.

“Ele pegou uma arma do armário e apontou, aparentemente brincando, para outro funcionário. Em seguida, ele deu risada e botou a arma na mesa. Logo depois ele apontou para a esposa, tirou parte da munição e abaixou. Após isso ele apontou de novo o revólver para a mulher e a arma acabou disparando”, conta Comin.

Segundo testemunhas ouvidas pelo G1, Noronha se desesperou ao ver que a arma havia disparado. Nas imagens é possível ver que ele socorre a mulher e a arrasta, ferida, para a porta do estabelecimento. Um funcionário da padaria é acionado e chega a tentar uma massagem cardíaca em Francisca, antes da chegada da equipe de socorro.

As equipes do SAMU foram acionadas por outro funcionário. A mulher foi encaminhada com vida para o Pronto Socorro Central da cidade. Noronha seguiu para o local e, ao receber a notícia de que a esposa havia morrido, acabou passando mal e precisou de atendimento. Ele confessou para a médica que atirou na mulher e ela acabou chamando a polícia.

“A médica que fez o atendimento chamou a polícia e avisou que ele era o responsável pelos disparos. Nossa equipe foi ao local e o prendeu em flagrante. Ouvimos uma testemunha que realmente confirmou que ele estava brincando. Essa testemunha disse que ficou constrangida e resolveu sair do local. O disparo aconteceu em seguida”, afirma o delegado Comin.

Preso em flagrante, Noronha responderá por homicídio doloso e por porte ilegal de arma de fogo. “É doloso por ser um dolo eventual. Não se pode brincar com uma arma. Por mais que ele não tivesse a intenção de matá-la, só o fato de brincar e apontar a arma para a vítima faz com que ele tenha que responder dessa forma, já que assumiu um risco”, finaliza Comin.



Via G1
13/02/2017


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