'Quero só um enterro decente para meu marido', pede mulher de motorista de Uber encontrado morto em Caxias

Ed Wilson desapareceu depois de realizar uma corrida como Uber. Corpo foi encontrado dentro de canal em Vila Sapê, em Caxias. Reprodução Facebook

A família do motorista de Uber Ed Wilson Araujo da Silva, de 28 anos, está sofrendo duplamente. O corpo dele foi encontrado dentro de um canal na Favela Vila Sapê, em Caxias, na Baixada Fluminense, mais de 24 horas depois de desaparecer, quando voltava para casa após realizar uma corrida na região. Desde então, procuraram a polícia, que até as 9h50 desta segunda-feira ainda não tinha ido ao local realizar a perícia para que o corpo pudesse ser removido para o Instituto Médico Legal (IML) e depois ser realizado o enterro. Familiares e amigos tiveram que remover o corpo do local com a ajuda do Corpo de Bombeiros e deixar às margens da Rodovia Rio-Magé, por se tratar de área de risco, o que estaria causando a recusa do poder público de ir para a região.

"É uma revolta, indiginação, tudo de ruim. Quero só um enterro decente para o meu marido. O poder público não está deixando", disse, aos prantos, Rosana Paula de Souza da Silva, 40 anos, mulher de Ed Wilson.

Segundo ela, quando já sabiam da localização do corpo, foram até a 66ª DP (Imbariê), mas a delegacia se recusou a fazer o registro e ir até o local, alegando que deveriam procurar a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). A Defesa Civil também teria sido procurada e se recusado por ser área de risco. "Eles até ligaram para a DHBF, pois estava sem sistema, mas até agora ninguém chegou aqui", disse Rosana, antes da chegada da Polícia Civil nesta manhã.

Apenas uma viatura da Polícia Militar isolava o local nesta manhã onde foi deixado o corpo, identificado pelos familiares através de uma tatuagem. Segundo a mulher de Ed, o marido teria sofrido um assalto e foi confundido com policial. Eles estavam juntos há 11 anos e se casaram em 2016. O carro de Ed Wilson foi encontrado antes de seu corpo na comunidade Rodrigues Alves, também próximo da Vila Sapê, em Imbariê.

"O corpo do meu marido está entrando em decomposição, isso é um descaso. É a única palavra que tenho para isso. Somos evangélicos, quero dar um enterro digno para o corpo dele, que era trabalhador, uma pessoa de bem", pediu. "O corpo está aqui, exposto, num chão quente, ao lado de uma escola municipal onde tem crianças, com um odor forte e um monte de crianças aqui do lado na escola, poxa."

Procurada, a Polícia Civil ainda não se pronunciou sobre o assunto. Já a Defesa Civil Estadual disse que não houve solicitação da delegacia da região para a remoção, o que aconteceu somente às 9h15 de hoje. "A remoção é feita pela Defesa Civil após a perícia por parte da Polícia Civil e consequente liberação de guia por meio da DP", disse em nota. Segundo a Rosana, a perícia foi concluída por volta das 11h30 e corpo retirado em seguida. Os familiares agora começam uma
 nova peregrinação: a liberação do corpo no IML para realizar enfim o enterro.


Via O Dia
13/02/2017

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