Bandido se entrega após manter reféns em ônibus na subida da Ponte Rio-Niterói



Um assalto com reféns em um ônibus na subida Ponte Rio-Niterói bloqueou o acesso ao elevado pela Avenida do Contorno no sentido Rio, na manhã desta terça-feira. Equipes da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal cercaram o coletivo e negociaram a rendição do suspeito, que ocorreu às 9h50m. Segundo a PRF, o criminoso usava uma arma falsa. O motorista do ônibus e todos os passageiros estão sendo levados para a 76ª DP (Centro).



Bandido se entrega após negociação com policiais Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo



Reféns sendo atendidos numa ambulância Foto: Ricardo Rigel / Agência O Globo


Identificado como John Lenon Silva Barbosa, de 25 anos, o criminoso tem três passagens pela polícia por roubo. Segundo o tenente-coronel Fabio Marçal, subcomandante do 12º BPM (Niterói), o criminoso mora no bairro de Vila Lage, em São Gonçalo. Ele pegou o ônibus no Barreto, em Niterói, perto da quadra da Escola de Samba Unidos do Viradouro, e anunciou o assalto perto da Comunidade Buraco do Boi.

O tenente-coronel Fabio Marçal, subcomandante do 12º BPM, explicou que havia cerca de 30 passageiros no ônibus no momento do anúncio do assalto. O motorista sinalizou a ocorrência e os agentes responderam assim que receberam um chamado do 190.

— Na 76ª DP, vamos tomar conhecimento da dinâmica dos fatos, quando ele entrou e anunciou o assalto. O tempo todo negociamos, com o objetivo de preservar a vida dos reféns. Ele (o bandido) também se mostrou sensível à situação, pediu a presença da esposa, que ajudou na negociação. Ele foi liberando os mais nervosos e as mulheres primeiro — relatou o tenente-coronel.

A arma falsa usada pelo bandido Foto: PRF / Divulgação



Segundo o subcomandante, o criminoso estaria munido de uma pistola de brinquedo, que foi encaminhada para a delegacia. Mesmo sem a identificação do homem, a PM já sabe que ele é morador do bairro Vila Lage, em São Gonçalo.

O delegado Gláucio Paz, titular da 76ª DP, informou que o preso será autuado por roubo qualificado.

— A gente está analisando se vai incluir o sequestro ou não. Mas isso só depois de todos serem ouvidos — disse ele.

Segundo o policial, até o fim da manhã seis pessoas haviam prestado depoimento, entre eles um passageiro que ficou em poder do bandido.

PASSAGEIRO NOTOU QUE ARMA ERA FALSA

Um dos últimos a sair do ônibus após o fim do assalto, o passageiro Felipe Roseano contou que percebeu a blitz da PRF na Avenida do Contorno e fez sinal com a mão para que os agentes parassem o veículo. Ele disse que notou que a arma era de plástico ainda durante a negociação. Roseano, então, conversou com o bandido e ajudou os passageiros mais nervosos.

— No começo foi bem assustador. Ele falou que queria celular de todo mundo e dinheiro, porque assinaria a condicional hoje e não tinha dinheiro para isso nem para alimentar o filho. Eu via o desespero dele. Ele só pareceu agressivo quando os policiais queriam entrar (no coletivo). Eu falei para ele que sabia que a arma era de brinquedo e ele me respondeu: 'Cara, eu já perdi. Eu sei' — relatou o jovem em entrevista ao vivo no Facebook do GLOBO.

Para os policiais, no entanto, ele mantinha a posição de que não tinha nada a perder e exigia a presença da família. Segundo Felipe, o bandido dizia que sairia dali morto, e não preso, porque já havia sido detido outras vezes. Prestes a se entregar, o assaltante pediu que o refém levasse a pistola falsa até os policiais. Sem condições emocionais de trabalhar, Felipe foi para casa após o episódio.

Um dos reféns falou sobre os momentos de tensão pelos quais passou:

— A PRF graças a Deus notou (o assalto no ônibus). Ele queria todo o tempo ir para a Ponte. Estava muito nervoso. Não sabíamos se a arma era de verdade ou de brinquedo. Quando a Blazer da PM chegou, ele ficou mais nervoso. Chegou a falar: "Passa por cima". Foi um sufoco — contou Tiago Freira, auxiliar administrativo.

Ônibus com assaltante e reféns foi cercado por agentes da PM e da PRF Foto: Niterói Radar


A ocorrência começou às 8h50m em um ônibus da Viação ABC, linha Alcântara-Niterói, número 409, que passava pela Avenida do Contorno, antes de subir para a travessia da ponte. O acesso foi interditado para a resposta policial.

Os reféns começaram a ser liberados aos poucos. Uma das que recebeu autorização para deixar o coletivo foi uma grávida, que logo foi atendida por uma ambulância.

Ônibus da linha 409 bloqueou acesso à Ponte Rio-Niterói com o assalto Foto: Niterói Radar


O universitário Vinícius Maia, de 26 anos, passou pelo local no momento em que os policiais negociavam a libertação dos reféns. Segundo ele, no ônibus havia entre 10 e 15 pessoas.

— Havia muita gente chorando, nervosa. Além dos policiais, eu vi ainda três ambulâncias perto — relatou o jovem.

Nas redes sociais, internautas comentam o assalto. Fotos de usuários mostram engarrafamento na via.

"Gente, socorro! Assaltaram um ônibus na contorno. E o bandido está fazendo todo mundo de refém!!!! A ponte está fechada", escreveu uma mulher que passava pelo local.


Via Extra
21/03/2017

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