RJ ganha Banco de Pele com padrão de excelência


Sediada no INTO, estrutura funcionará 24h por dia e vai possibilitar tratamento até então indisponível no estado do Rio, fornecendo tecido doado para uso em curativos e grandes queimados

Inaugurado nesta segunda-feira (24/4), dispondo do que há de mais moderno de acordo com padrões internacionais em uma estrutura de 200m², o Banco de Pele do Estado do RJ já entra em funcionamento com grandes missões: oferecer um tratamento até então indisponível na rede de saúde fluminense, além de contribuir, de forma expressiva, para o atendimento da demanda do país, se integrando aos outros três bancos existentes no Brasil. Com funcionamento 24h por dia, a unidade conta com 50 profissionais, sendo 13 médicos, e atende todas as especificações previstas pelo Sistema Nacional de Transplantes e da ANVISA.

- Sem dúvida, o banco de tecidos do estado trará grande avanço no atendimento às vítimas de queimaduras graves que, comumente, acabam tendo de usar pele sintética em procedimentos. Esperamos aumentar consideravelmente o número de cirurgias utilizando tecido humano, oriundo de doações. Nossa expectativa é de resultados bem sucedidos como os que são observados com o funcionamento do Banco de Olhos, também instalado pelo PET no Into, que contribuiu para o crescimento histórico nos transplantes de córnea que registramos recentemente – explica Luiz Antonio Teixeira Jr, secretário estadual de Saúde.

O projeto foi idealizado pelo nefrologista Rodrigo Sarlo, coordenador do Programa Estadual de Transplantes, e pelo cirurgião plástico Victor Lima, responsável técnico que está à frente do banco de pele. Sarlo explica que a estrutura vai funcionar nas dependências do Banco Multitecidos do Into, e agregará ao estado uma modalidade terapêutica considerada, no mundo inteiro, padrão-ouro no tratamento de grandes-queimados. A integração com as outras atividades do Banco foi conduzida pelo coordenador geral do Banco Multitecidos e referência nacional nesta atividade, Rafael Prinz.

- Temos à frente um cenário altamente promissor e certamente, a qualidade do tratamento que poderemos oferecer aos pacientes terá melhorias significativas. Contamos com grandes parcerias internacionais, como o apoio da especialista Marisa Herson, reconhecida mundialmente pelo trabalho desenvolvido no banco multitecidos de Victoria, na Austrália. Também contamos com apoio de chefes dos bancos de Porto Alegre e da Universidade de São Paulo, além da ajuda do Sistema Nacional de Transplantes. O trabalho integrado é o que está possibilitando esta realização importante para o nosso estado – acrescenta Rodrigo Sarlo.

Pioneira, a iniciativa de implementação um banco de pele com padrão de excelência como o que se encontra na estrutura instalada vai possibilitar um novo tipo de tratamento até então inédito no estado, com total segurança para os pacientes. Responsável técnico da unidade, o cirurgião plástico Victor Lima explica que a unidade seguirá o consenso internacional amplamente estabelecido pela literatura mundial, observando ainda experiências bem sucedidas em países como Espanha, Holanda, Estados Unidos e Argentina.

- Os padrões que estamos adotando darão rastreabilidade, qualidade e segurança para os tecidos, que serão processados e armazenados em altas concentrações de glicerol, composto químico mais indicado para isso, além de serem submetidos a numerosos ensaios microbiológicos. Todas essas medidas nos trarão mais eficiência ao aproveitamento das doações. Os grandes beneficiados serão nossos pacientes, por isso, este é um passo muito importante para os transplantes de pele no Rio de Janeiro – explica ele.

Preparação para integrar – Ainda no início deste ano, o PET e o INTO promoveram um workshop para apresentar o projeto do banco de pele para cirurgiões plásticos e profissionais que atuam no tratamento de pacientes vítimas de queimaduras graves no RJ. O objetivo é buscar a ampliação da rede de colaboradores e assim, garantir o suprimento de enxertos que vão de encontro às necessidades destes profissionais de saúde e de seus pacientes. Ainda estão previstos diferentes eventos que visam estimular o debate científico, cada vez mais integrado, além da educação continuada dos profissionais envolvidos neste tipo de atendimento.

Melhoria da qualidade do tratamento - O Banco de Pele do RJ é o quarto do país – outras unidades existem em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba – e sua principal atribuição é a captação, assim como o processamento, armazenamento e disponibilização de lâminas de pele humana para os centros de transplantes, principalmente, utilizadas para o atendimento de pacientes vítimas politraumatizadas e/ou vítimas de queimaduras graves. A pele funciona como um curativo biológico para a proteção e cobertura de lesões na pele, sejam estas superficiais ou profundas. Isso protege o paciente contra infecções, efeito importante para a redução da perda de líquido e de calor, estimulando a cicatrização e colaborando para minimizar a dor. Comprovadamente, pode significar a diferença entre a vida e a morte de um paciente grave.

Diferente do que ocorre na captação de órgãos sólidos, que só pode ser realizada em pacientes com diagnóstico de morte encefálica, a doação de pele também pode ser feita quando o paciente sofre parada cardiorrespiratória. E, assim como qualquer outra doação, ela só acontece mediante a autorização da família do paciente. Não há mutilação ou mesmo sangramento no procedimento de captação, o que se observa apenas é uma mudança no tom da pele, que fica mais clara no ponto em que houve a captação, e, após esse processo, são utilizados materiais específicos para prevenir perdas líquidas, preservando a integridade do corpo. 



Após ser captada, a pele é encaminhada ao Banco de Tecidos, que é responsável pelo processamento e conservação, sendo ainda submetida a uma série de testes para só então ser liberada para utilização em cirurgias, quando os resultados indicam ausência total de qualquer microorganismo. Sob armazenamento e refrigeração adequada, os tecidos podem ser utilizados num período de até dois anos. A distribuição dos tecidos é coordenada pelo Sistema Nacional de Transplantes e, nos estados, pelas Centrais Estaduais de Transplantes, para pacientes inseridos nos sistemas.



Via Assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde
24/04/2017



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